2010 - Larissa Gomes de Almeida - Direito

Em primeiro lugar gostaria de dizer o porquê eu escolhi vir para os EUA sendo que sou uma estudante de direito e aqui o direito é diferente do Brasil.

Bom, eu queria muito melhorar meu inglês, e esse foi o principal motivo de ter escolhido um país de língua inglesa e por que eu sempre tive vontade de vir pra cá e conhecer a cultura e os costumes. Além disso o custo do intercâmbio para morar no EUA é bem mais barato que em qualquer país da Europa. Já em relação à faculdade, Pittsburg State University, escolhi por causa do custo, já que o Mackenzie tem um acordo com a Pittsburg que permite os alunos a estudarem aqui com uma bolsa de convênio por seis meses ou um ano, enquanto em outras universidades o acordo é diferente e teríamos que pagar pelos cursos que iríamos fazer, e também pelas matérias oferecidas que são diretamente ligadas ao direito.

Os principais pontos positivos de vir para os EUA são o aprendizado da língua inglesa, estar em contato com o vocabulário inglês da sua área de atuação, infra-estrutura e organização muito boas, oportunidade de conhecer a cultura e a vida americana dos universitários e poder conhecer o país no geral. Em relação à faculdade, penso que a dinâmica das aulas é o que eu mais gosto, a infra-estrutura do campus e da universidade é encantadora, os professores, alunos e funcionários são muito receptivos, há diversos programas de integração à cultura americana para o estudante internacional e as facilidades que a universidade oferece como o dormitório, refeitório, academia, cyber café e várias outras coisas.

Meu processo de seleção na COI e ingresso à universidade daqui foram simples mas ao mesmo tempo trabalhosos: eu precisei preencher muito papel, juntar vários documentos, fazer passaporte, estuda muito pro TOEFL, porque meu inglês não era bom. Por isso aconselho a todos que estão pensando em viajar a começa a ver sobre o intercâmbio pelo menos um seis meses antes, pra não ter nenhum tipo de imprevisto. Parece exagero, mas não é, principalmente se você já está no último semestre que é permitido fazer o intercâmbio. Aconselho também a conversarem com o pessoal da COI, pois eles conhecem muito bem sobre os programas, e as diferenças entre as faculdades, e o suporte deles durante o processo foi muito importante para mim.

A minha chegada em Pittsburg foi logo no início de janeiro, ou seja, estava muito frio e nevando. A média de temperatura aqui durante o inverno é de -9 a 0 graus celsius, que para nós seria um inverno muito rigoroso. É necessário trazer dinheiro extra para comprar casaco de inverno, porque como já disseram os nossos casacos do Brasil só esquentam se colocarmos todos juntos. A recepção foi muito boa, nós tivemos que chegar uma semana antes para a Orientation Week que é quando eles explicam tudo sobre a faculdade de uma forma geral, nos auxiliam com transporte para podermos comprar o que precisamos para o dormitório, mostram a faculdade e como tudo funciona, e nos encontramos o nosso conselheiro para podermos escolher as nossas matérias.

Em relação ao dormitório, no meu primeiro semestre fiquei no Willard Hall que é o mais caro, recentemente reformado e que dividimos o banheiro com no máximo três pessoas, porém ele tem uma característica de que os calouros não podem morar lá, ou seja, somente os veteranos e internacionais moram lá e isso faz com que seja um dormitório muito acadêmico e silencioso, é um dormitório pra pessoas estudiosas. Já no meu segundo semestre eu me mudei para o Dellinger Hall que é conectado com o Nation Hall, eu particularmente me identifiquei mais com esse, poia as pessoas aqui são mais abertas, tenho conhecido muito mais gente aqui do que eu conheci no Willard, e o fato de dividir o banheiro com mais gente não me incomoda, até porque quando se vive no Willard e divide o banheiro com 3 pessoas acredito que seja pior, pois o banheiro é dentro do quarto diminuindo a privacidade. Os outros dormitórios não conheço muito bem, mas sei que são mais afastados do refeitório que é na frente do Dellinger e do Nation e atrás do Willard, e a característica deles acredito que também seja mais social, o pessoal sempre fica no lobby conversando e sempre estão dispostos a conhecer outras pessoas.

As aulas daqui acredito que não são muito difíceis de uma forma geral, mas depende do nível da aula e do seu inglês. Todas requerem leituras antes da aula para um bom acompanhamento e a quantidade de homework é muito maior que no Brasil,  já que praticamente toda semana há algum exercício para ser entregue. A dinâmica da aula é diferente também: há uma participação do aluno muito maior, mas os professores são muito compreensíveis em relação aos alunos internacionais, e eles não nos pressionam para participar da aula.

As minhas principais dúvidas antes de vir eram se valeria a pena perder um semestre ou um ano para vir aprender inglês, como é a adaptação e se seis meses eram suficientes para desenvolver meu inglês. E depois de estar a quase um ano aqui posso dizer  que com certeza vale muito a pena perder um semestre ou um ano para aprender inglês, porque de fato não estou apenas aprendendo inglês, estou vivendo uma experiência muito diferente, aprendendo a aceitar diversas culturas diferentes, desenvolvendo autoconfiança, e fazendo amizades que irão durar para a vida toda. A adaptação ao inglês foi bem difícil, dizem que em um mês você se adapta, pra mim eu demorei um pouco mais porque acredito que cheguei com meu inglês bem ruinzinho, no começo as aulas pra mim eram bem difíceis e todos os dias terminava com dor de cabeça de tanto presta atenção pra consegui entender, mas foi melhorando e em mais ou menos dois meses eu já estava melhor e já tinha pegado o ritmo. Em relação à cultura acredito que pra nós o choque não é tão grande, pois estamos acostumados a conhecer a cultura americana, mas posso dizer que me surpreendi muito, pois eles aceitam muito bem estudantes internacionais, nunca fui discriminada e acredito que os brasileiros aqui são como os americanos no Brasil, todos se interessam e querem saber mais sobre o nosso país e a nossa cultura. E sobre aprender o inglês, acredito que sim, seis meses são suficientes para desenvolver bem o idioma, porém depende muito de você e do seu esforço, é muito importante que você tente falar menos português possível, pelo menos durante seus primeiros meses, que você leia o que os professores pedem, assista televisão e esteja sempre conversando em inglês.

A cidade de Pittsburg é muito pequena, tem 20 mil habitantes sendo que 8 mil deles são estudantes, mas ao mesmo tempo tem muitas atividades e eventos diferentes. O tempo passa muito rápido se você vai atrás do que fazer, mas vai passar muito devagar se você ficar dentro do quarto o tempo todo em que não está em aula. A vida noturna não é nada variada, a cidade tem alguns bares que só os maiores de 21 anos de idade podem entrar, e tem também as festas nas fraternidades ou na casa dos amigos, e em relação a isso não espere muito.

O que mais me encantou aqui foi a oportunidade de viver essa experiência diferente, principalmente me surpreender e ver como os americanos são muito receptivos, e também a oportunidade de estarmos em contato com as diversas culturas que encontramos aqui. Nesse semestre a Pitt (apelido da universidade) recebeu em torno de 100 alunos estrangeiros de todas as partes do mundo, então mesmo estando no EUA nós temos a oportunidade de conhecer um pouquinho de cada canto do mundo num só lugar!

Recomendo muito a todos que estão em dúvida, em tentar viver essa experiência maravilhosa! Durante todo o meu processo eu escrevi um blog com muitas informações sobre tudo, desde a primeira coisa que eu fiz para poder me inscrever no programa até a minha chegada aqui, então se você quiser saber mais detalhes da uma olhadinha no blog lallyinpitt.blogspot.com e se você tiver qualquer dúvida, terei o maior prazer em te ajudar, pode entrar em contato comigo no meu email lally.ga@gmail.com

E boa sorte a todos!