2018 - Ana Paula Alves dos Santos - Administração

Em 2018 realizei meu segundo intercâmbio pelo Mackenzie. O primeiro foi em 2016 pelo programa Top China, bolsa concedida e patrocinada pela instituição financeira Santander. Conhecer a China me instigou a curiosidade pelos países asiáticos, logo, assim que descobri que o Mackenzie possuía convênio com universidades na Coreia decidi tentar mais uma vez, desta vez uma bolsa parcial, ao qual o aluno fica isento das “tuitions” da universidade onde o Mackenzie tem acordo pelo Fluxo Contínuo.

Fiquei alocada em Seoul, capital da Coréia do Sul e cursei um semestre letivo na Universidade de Konkuk no distrito de Gwangjin-gu. Tive a oportunidade de conhecer e conviver com as mais diversas culturas além de aprender o básico da língua coreana. A mesma é considerada patrimônio histórico da Unesco. O Hangul, idioma oficial da Coréia, foi criado pelo rei Sejong, o quarto rei da dinastia Joseon da Coreia. Antes do Hangul a Coréia usava os ideogramas chineses para se comunicar, sendo assim apenas os ricos sabiam ler e escrever, e o povo ficava desprovido de tal habilidade. Então Sejong criou o Hangul, baseando-se nas cordas vocais do ser humano, e a partir daí a Coreia passou a ter o próprio sistema de escrita não necessitando mais da escrita chinesa começando assim a afirmar sua própria identidade cultural.

Acho que deu para perceber pelo meu último parágrafo que a parte histórica da Coréia foi o que mais me chamou a atenção nesses meus 5 meses vivendo por lá. Visitei palácios, museus, fui a um musical, viajei pela ilha de Jeju, para outras cidades como Busan, Jeonju, Suwon, etc. Acredito que mais do que um semestre letivo, tive uma aula sobre consciência cultural. Um intercâmbio não é apenas fazer as malas e partir: é muito mais que isso. É se resignar e respeitar a cultura e costumes dos outros mesmo que você não concorde; é saber que você não tem lugar de fala quando se está em um país que não é o seu; é aprender a escutar e não julgar tradições e costumes.

A sociedade coreana é em sua maioria católica/cristã, mas faz-se uso do confucionismo em sua sociedade. A cultura do confucionismo é o que define a sociedade Coreana em hierarquias, logo a sua idade ou status social em relação ao outro define em como você irá ser tratado. Os coreanos denominam isso como 반말 (ban-mal) e 존댓말 (jon-daet-mal), linguagem informal e formal. Detalhes como esse fazem a experiência em outo país ser absurdamente esclarecedora, pois a partir desses detalhes você consegue compreender como uma sociedade funciona, sua maneira de pensar e se portar.

Em relação à experiência universitária, o índice de instrução educacional na Coreia é absurdo, cerca de 97% de sua população é alfabetizada, segundo dados coletados em 2017, e está em quarto lugar no ranking de educação mundial. Porém, a distância entre professor e aluno é discrepante, quase não há diálogo entre mestre e discente. O Docente ministra a aula e dúvidas quase não são levantadas, a não ser por um ou outro aluno estrangeiro que esteja na sala. Pela percepção que tive, os próprios alunos coreanos não têm costume de perguntar o porquê de algo e os professores não dão abertura para tal, senti que não há uma construção de conhecimento profunda e válida, pois o diálogo é inexistente.

É fato que o nível de instrução educacional na Coreia do Sul é excelente, mas tenho minhas dúvidas se é realmente efetivo, pois como somos ensinados aqui no Brasil, ou pelo menos com os professores com os quais tive aula, decorar não é aprender, é apenas conquistar posições ou notas, mas sem validade nenhuma pois o processo em que se adquiriu o conhecimento foi falho. Apesar disso, a educação coreana continua a ser um dos níveis mais admirados pelo mundo, entretanto a sua taxa de suicídio está entre a segunda maior do mundo. Claro que isso implica em diversos outros fatores, que infelizmente não é possível transcrever em um texto com números limitados de linhas, mas àqueles que estiverem lendo meu texto e se interessarem sobre o assunto, estou à disposição para esclarecer dúvidas ou curiosidades do pouco que pude aprender durante esse meu semestre acadêmico.

Gostaria de terminar meu texto agradecendo ao Mackenzie e o setor da COI pois sem o auxílio deles os dois intercâmbios ao quais tive o privilégio de participar não teriam sido possíveis. Como disse acima, o pouco tempo que passei lá aprendi muito, não só sobre os outros, mas também sobre mim. Aprendi a respeitar as mais diversas culturas e o principal: passei a amar o meu país. Para quem estiver interessado em fazer um intercâmbio na Coréia do Sul, posso afirmar de que não se arrependerá, pois a Coréia é um país maravilhoso, cheio de cultura, tradição e com uma história fascinante, sofrida, mas de uma riqueza imensa.

Ana Paula Alves dos Santos.

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