Projeto Institucional de Internacionalização – Universidade Presbiteriana Mackenzie /PrInt

A Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade Presbiteriana (UPM) é relativamente recente, tendo iniciado suas atividades na década de 1990. Em menos de 20 anos, todavia, os progressos foram notáveis: 13 programas de pós-graduação acadêmicos (PPGs) abrangendo Ciências Humanas, da Saúde e Exatas. Na avaliação CAPES mais recente, 3 destes programas obtiveram nota 6, 3 obtiveram nota 5, 4 programas receberam nota 4 e 3 foram avaliados com nota 3. A nota média dos programas da UPM foi igual a 4,38 o que coloca a instituição como a segunda melhor colocada entre as universidades brasileiras com 10 a 19 PPGs. O Projeto Institucional de Internacionalização (PII) apresentado pela UPM está alinhado com o Plano Institucional de Internacionalização que estabelece em médio e longo prazo as diretrizes e estratégias de internacionalização em todos os níveis de ensino, com foco expressivo na pós-graduação.

A pós-graduação tem contribuído com o desenvolvimento e consolidação de áreas de competência em pesquisa de nossa universidade. Um exame das competências desenvolvidas ao longo destes quase 20 anos aponta que a UPM, pela sua atuação, tem excelência nos seguintes temas: Arquitetura e Desenvolvimento Sustentáveis; Arte, Linguagens e Comunicação; Nanotecnologia e Nanomateriais; Desenvolvimento Humano nas neurociências, saúde e educação; Práticas Inovadoras de Gestão; Radioastronomia e Astrofísica; Sistemas de TV Digital e Inteligência Artificial. Um diagnóstico das atividades de pesquisa na UPM entre 2014 e 2017 em termos de internacionalização mostra que a interação com pesquisadores e centros de pesquisa no exterior tem estado fortemente centrada na ação dos docentes dos PPGs mediante projetos específicos de pesquisa.

Há grupos de pesquisa nesses PPGs que interagem intensamente com grupos e redes colaborativas em outros países, com projetos e atividades fomentados por agências nacionais e agências e entidades estrangeiras de financiamento, tais como FAPESP, CNPq, CAPES, Comissão Européia, NASA, Força Aérea Americana, Norwegian Research Council , Ministero dell Istruzione dell Università e della Ricerca (MIUR), Newton Fund of the Royal Society, Colégio Doctoral de Tordesillas, Erasmus Mundus Programme, etc. Esses financiamentos mostram a inserção nacional e internacional dos docentes no desenvolvimento de pesquisa científica relevante. Outro destaque importante nos financiamentos de projetos e atividades colaborativas com o IES de outros países é o MACKPESQUISA, uma agência interna de fomento do Instituto Presbiteriano Mackenzie, entidade mantenedora da UPM. O MACKPESQUISA dá suporte financeiro a docentes visitantes na UPM, pós-doc a docentes dos PPGs, taxas de publicação de revistas, mobilidade acadêmica de pós-graduandos para eventos internacionais. Os resultados destas ações de internacionalização estão devidamente registrados nas seções deste PII e espelham, tanto o fomento das FAPs, quanto do MACKPESQUISA.

Esta proposta se propõe continuar avançando com importantes contrapartidas institucionais com base no que foi realizado no passado. Na preparação deste PII foi utilizada uma estratégia de direcionar as ações dos PPGs para temáticas que que reforçam a atuação comum e a disciplinaridade cruzada. Assim, as competências dos PPGs foram agrupadas em escalas, ou dimensões, segundo o fenômeno físico, humano, social ou biológico objeto da pesquisa, resultando na seleção de 4 escalas que definiram os temas nos quais se inserem os programas da UPM: Escala Nano e Microescala; Escala Social, Escala Humana e Escala Cósmica. Estas escalas não são mutuamente exclusivas, o conhecimento adquirido nos projetos de uma pode ser utilizado em outra, por exemplo: o uso de sensores baseados em |Nanotecnologia (Escala Nano e Microescala) pode ser utilizado em pesquisas de Neurociências da cognição e do comportamento (Escala humana). Apresentamos um resumo de cada tema deste projeto: 

1. Escala Nano e microescala: materiais e dispositivos funcionais. Neste tema inserem-se os projetos de pesquisa em Nanotecnologia. Estas pesquisas não se limitam ao desenvolvimento de novos materiais e suas aplicações, mas também contemplam seu uso em pesquisas da escala humana e suas implicações legais. Portanto, os PPGs em Engenharia de Materiais e Nanotecnologia, Engenharia Elétrica e Computação, Distúrbios de Desenvolvimento e Direito Público e Econômico participam deste tema.

2. Escala humana: cérebro, cognição e comportamento. Um dos grandes desafios da Neurociência é a integração os conhecimentos adquiridos com aqueles os adquiridos em áreas diversas como Administração e Controladoria Empresarial e também utilizar os recursos tecnológicos para mapear padrões de cognição e comportamento e sistemas de georreferenciamento para geração de mapas temáticos específicos que contribuirão para a caracterização da saúde mental infantil em diversas regiões do país. Neste tema, estes desafios são focados com a participação dos PPGs de Distúrbios de Desenvolvimento, Administração, Controladoria e Finanças |Empresariais e Ciências e Aplicações Geoespaciais.

3. Escala social: linguagens, cidades e cultura. Hoje, o desenvolvimento humano e social ocorre num mundo cada vez mais multicultural que impõe desafios à convivência em sociedade, caracterizada por mobilidade, aumento da diversidade e intolerância, surgimento de novas formas de identidade e alteridade, promoção e proteção insuficiente dos direitos da cidadania, degradação do espaço urbano e do meio ambiente. Estes fenômenos sociais são estudados neste tema, com pesquisas sobre desenvolvimento de negócios sociais inclusivos, comunidades de aprendizagem e linguagens artísticas e suas tecnologias, análise e promoção da economia solidária, formulação de políticas públicas para o desenvolvimento socioeconômico e a inclusão socioespacial, ensino de línguas e promoção da interculturalidade, valorização das culturas próprias das populações em situação de deslocamento, contato e acolhimento, promoção de espaços públicos e preservação do patrimônio urbano, histórico e cultural, recuperação de áreas vulneráveis. Para tanto, farão parte deste tema os PPG de Administração, Arquitetura e Urbanismo, Direito Político e Econômico, Letras e Educação Arte e História da Cultura.

4. Escala Cósmica: a Terra no universo. No século XXI o ser humano utiliza da tecnologia espacial em todas as suas formas. Por isso é necessário entender a Terra desde a perspectiva do Espaço. Por exemplo, o sistema de posicionamento global (GPS), utiliza a Geodésia Espacial, técnica baseada em observações rádio astronômicas de quasares, para gerar o seu próprio referencial, permitindo fazer estudos geofísicos. O Clima Espacial pretende prever as alterações da atmosfera produzidas pela atividade solar que têm impacto na infraestrutura tecnológica tanto em solo quanto no espaço. A UPM é pioneira no Brasil em pesquisas nas áreas de Rádio Astronomia, Física Solar e Física das Relações Solares Terrestres desde os anos 60 quando criou o Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM) e em 2013 com o Programa de Pós-graduação em Ciências e Aplicações Geoespaciais (CAGE).

Por meio das ações de internacionalização, a construção de novos instrumentos, desenvolvimento de sensores em bandas do espectro eletromagnético e Inteligência Artificial e Big Data serão explorados em parceria com os programas de pós-graduação em Engenharia de Materiais e Nanotecnologia e Engenharia Elétrica e Computação. Este foco multidisciplinar permite que as ações de cada tema possam contemplar diferentes aspectos complementares entre os PPG, misturando core competencies de um para contribuir com o desenvolvimento de aplicações nos outros. Espera-se que, no futuro, esta cooperação se mantenha em projetos de pesquisa que possam ser submetidos a agências de fomento nacionais e internacionais.

Os objetivos gerais e específicos do Projeto Institucional de Internacionalização, sob o ponto de vista integral da UPM, são:

a) Servir de instrumento para a avaliação das competências prioritárias da Pesquisa na universidade.

b) Possibilitar o Planejamento Estratégico da própria Pós-Graduação e da Pesquisa na UPM, com foco na inserção destas em um contexto internacional.

c) reforçar a qualidade da Pesquisa por meio da colaboração bilaterais como centros e pesquisadores internacionais, ampliando a participação em redes de pesquisas.

d) solidificar e ampliar a posição da UPM como instituição de referência para outros países nas áreas de competência em pesquisa.

e) conscientizar a comunidade acadêmica (docentes e discentes) da necessidade de referendar seus resultados em congressos e periódicos internacionalmente qualificados.

f) Promover a mobilidade acadêmica bilateral.

g) fomentar a internacionalização dos currículos da Pós-Graduação Stricto Sensu.

h) implementar a política de idiomas para os PPGs de acordo com as métricas especificadas pela CAPES.

i) Ampliar o número de Colégios Doutorais e Programas de Cotutela e Dupla Titulação com PPGs de excelência no exterior.

j) proporcionar uma experiência internacional relevante para um número expressivo de discentes dos programas de pós-graduação envolvidos nos temas deste projeto.

k) aprimorar a qualidade das produções intelectuais de docentes e discentes dos PPG, em coautorias internacionais, de maneira que a UPM amplie a visibilidade e experiência internacional.

l) ampliar a mobilidade acadêmica docente e discente bilateral, isto é, atraindo pesquisadores de outros países e enviando nossos pesquisadores a outros países.

Os temas deste projeto são aderentes aos objetivos mencionados acima, assim como os indicadores são aderentes às ações, o que possibilitará a aferição do progresso da proposta. Por fim, é importante ressaltar que a execução deste projeto tem o potencial para transformar positivamente o posicionamento da Pesquisa e da Pós-Graduação Stricto Sensu na UPM, dotando-as de um caráter indelevelmente internacional e multidisciplinar. 

Plano Institucional de Internacionalização - Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)