Ética e Cidadania

Representatividade das mulheres na arquitetura brasileira

Elas são 63% dos profissionais na área, mas apenas um quarto em altos cargos segundo CAU

13.03.201911h30 Comunicação - Marketing Mackenzie

Compartilhe nas Redes Sociais

Elas são 63% dos profissionais na área, mas apenas um quarto em altos cargos segundo CAU

De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do Brasil, a porcentagem de mulheres na área atualmente é de 63%. No entanto, mesmo sendo maioria, a representatividade na profissão ainda é um problema quando se trata de altos cargos. “Dentro do Conselho, por exemplo, de 28 pessoas, nós mulheres somos apenas sete. É preciso aumentar nossa representação dentro dos conselheiros do CAU”,” aponta Nadia Somekh, professora emérita da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), e representante paulista do CAU-Brasil, durante o evento “Mulheres na Arquitetura”.

A palestra, realizada no Dia Internacional da Mulher - 8 de março, no campus Higienópolis do Mackenzie, trouxe ao âmbito acadêmico discussões envolvendo desigualdade de gênero, como a baixa representatividade do sexo feminino em cargos importantes no mercado de trabalho, mesmo representando ¾ dos profissionais, e até mesmo a famosa “jornada dupla” enfrentada pelas mulheres.

Nadia foi a primeira diretora mulher da FAU Mackenzie, no período de 2005 a 2009, cargo ocupado hoje por Angélica Benatti Alvim. “Há um predomínio dos homens no ensino e, de fato, na profissão, principalmente de determinada geração que  hoje está na academia”, aponta a atual diretora.

A presidente do CAU de Santa Catarina, Daniela Sarmento, presente na mesa de debate, definiu o Conselho como “o primeiro espaço de participação política da mulher”. Ao comentar sobre uma campanha em andamento em seu estado, que tem a sororidade como palavra-chave do trabalho, define que “sororidade é sinônimo de solidariedade, é ser capaz de criar uma rede de apoio entre nós, mulheres, para nos ajudar a reivindicar mudanças reais”.

Daniela conta que se sentia realizada profissionalmente, mas decidiu iniciar um mestrado, período em que mudou sua perspectiva sobre a profissão e sua condição como mulher. “Nele passei a discutir a questão de gênero e da cidade”. De acordo com a arquiteta, a grande maioria dos planos diretórios não discutem a questão de gênero. “A mobilidade é um exemplo. Nós utilizamos a cidade de maneiras diferentes, precisamos trazer isso para o debate. A missão do CAU é levar a arquitetura para todos e todas”, enfatiza.

Ainda para a presidente, as mulheres querem discutir a sociedade em outra perspectiva, seja no ambiente público, no mercado de trabalho ou até mesmo dentro de casa, é essencial estabelecer um debate com todas as partes, e não somente com o sexo feminino. “Em 8 de março, a maioria dos países está com as mulheres em espaços públicos. Algumas em greve, reivindicando direitos, e chamando atenção para os problemas a serem enfrentados e isso é o importante”, finaliza a arquiteta.

Também estavam presentes no evento realizado no Mackenzie: Fabricia Zulin, uma das autoras do projeto das “Casas Cubo”; Heloísa Pomaro, sócia da Micura Steel Frame e vice-presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM); Luciana Schenk, presidente da ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas); Miriam Addor, Silvana Cambiaghi e Maria Rita Amoroso, conselheiras do CAU-SP.