Professora mackenzista é destaque em periódico internacional de Nanociência

Cecilia de Carvalho atua em Nanociência no MackGraphe e também leciona na Escola de Engenharia da UPM 

19.05.202118h33 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Professora mackenzista é destaque em periódico internacional de Nanociência

Professora mackenzista é destaque em periódico internacional de Nanociência

Cecilia de Carvalho atua em Nanociência no MackGraphe e também leciona na Escola de Engenharia da UPM 

A pesquisadora do Instituto Mackenzie de Pesquisas em Grafeno e Nanotecnologias (MackGraphe), do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM), e também professora dos cursos de Química (graduação) e de Engenharia de Materiais e Nanotecnologia (pós-graduação) da Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Cecilia de Carvalho Castro Silva, recebeu a distinção de figurar entre os pesquisadores emergentes de destaque em nanoescala na edição de 2021 do Jornal Nanoscale, da Royal Society of Chemistry

A publicação – Nanoscale profiles: contributors to the Emerging Investigators 2021 issue – reúne algumas das melhores pesquisas conduzidas por cientistas recentemente e cada colaborador foi recomendado por estar realizando um trabalho com o potencial de influenciar os rumos futuros da nanociência. Para conferir a lista completa, clique aqui

“Sinto-me honrada em receber esta distinção! É gratificante saber que as pesquisas científicas que venho desenvolvendo no Brasil têm impacto na comunidade mundial de nanomateriais. E, ao mesmo tempo, sinto uma grande responsabilidade ao representar, de certa forma, os jovens pesquisadores emergentes da América Latina na área de nanociência e nanomateriais”, declara a professora Cecilia acerca do reconhecimento. 

Ela, que atua no MackGraphe desde 2016, é doutora em Química pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e foi incluída pela Forbes-Brasil na lista dos 30 jovens mais talentosos com menos de 30 anos, em 2016. Cecilia se dedica a pesquisas que exploram arquiteturas de materiais bidimensionais no desenvolvimento de (bio)sensoriamento e tecnologias optoeletrônicas. Ela também é grande entusiasta da ciência como ferramenta de transformação social e defende mais espaço para as mulheres na área. 

A doutora acredita que a ciência e a educação têm o poder de transformar a realidade social de uma país, e conta que esse conceito se consolidou nela da primeira vez que o escutou, durante uma palestra do professor Miguel Nicolelis (neurocientista na Duke University, nos EUA). 

“Eu era uma estudante no início do doutorado, na época. Desde então, vejo como o conhecimento científico e as tecnologias desenvolvidas nas universidades têm este poder de beneficiar a população”, diz. A professora destaca que um país altamente desenvolvido, científica e tecnologicamente, caminha para uma sociedade de maior bem-estar social e dá como exemplos os países asiáticos: Singapura e Coreia de Sul, que tiveram sua realidade econômica e social transformada drasticamente, tornando-se grandes potências econômicas, através de fortes investimentos em educação e ciência. 

Cecilia pontua que a inserção de mulheres no campo científico, principalmente nas ciências duras, ainda é pequena, e que há um longo caminho a ser percorrido para que a igualdade de gênero nesse campo se torne realidade. Ela cita o relatório Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), da Unesco, ressaltando que menos de 30% dos pesquisadores no mundo são mulheres, sendo que o número de mulheres reconhecidas como líderes em sociedades de alto prestígio ou por meio de premiações permanece baixo. 

“Assim, políticas de incentivo e promoção das mulheres na ciência são muito importantes. As mulheres necessitam receber as mesmas oportunidades que os homens e ter seus trabalhados vistos e valorizados pela comunidade científica. É um longo caminho a ser percorrido, mas estamos evoluindo, principalmente por iniciar um debate sobre esta mudança necessária na comunidade científica e que se estende a toda sociedade”, afirma a pesquisadora mackenzista. 

Sobre o trabalho recente 

A doutora foi mencionada no periódico da Royal Society of Chemistry pelo seu artigo mais recente: Graphene oxide fibers by microfluidics assembly: a strategy for structural and dimensional control. De acordo com ela, o trabalho visa a apresentar uma estratégia simples de se obter microfibras de óxido de grafeno (GO, na sigla em inglês) com elevado controle de sua estrutura e dimensões, com formato homogêneo e diâmetro ajustável, através do uso de dispositivos microfluídicos. 

“Após passarem por tratamentos térmicos e de micro-ondas, estas fibras de óxido e grafeno reduzido (rGO) apresentaram propriedades elétricas comparáveis a de grafenos obtidos pelo método de deposição química em fase vapor (CVD), o que nos possibilitou desenvolver dispositivos do tipo transistores de efeito de campo (FETs) com estas microfibras. Assim, novas possibilidades de desenvolvimento de dispositivos do tipo vestíveis (wearables), tanto para sensoriamento, como geração e armazenamento de energia, são abertas com o uso destas microfibras de derivados de grafeno”, explica Cecilia. 

Ideias no cotidiano 

Quando perguntada sobre seu trabalho e a respeito de como soluções e inovações científicas surgem, a professora Cecilia afirma que a ciência é uma companheira para a vida toda.  

De acordo com ela, às vezes, ao executar uma simples atividade, tal como cozinhar, ocorre a observação de um fenômeno científico e surge uma ideia ou caminho para resolução de um problema de pesquisa.  

Ela ressalta que é importante praticarmos o ócio criativo, ter momentos de lazer e estarmos envolvidos com atividades que também estimulem a nossa criatividade científica. A arte, presente no cinema, música, literatura, etc., também nos traz novas experiências e afetam a construção do nosso pensamento. 

“Além disso, o cientista tem este olhar observador e curioso. Estar atento aos dilemas sociais, e em contato com colegas de outras áreas do conhecimento, nos auxilia a pensar e trabalhar para resolver grandes desafios científicos. Ambientes multidisciplinares e diversos são ricos cientificamente”, acrescenta ela. 

Paixão pela ciência 

Questionada sobre dicas para quem deseja atuar nas ciências, Cecilia responde com carinho que a “ciência é uma grande paixão”. E adiciona que isso é necessário para o cientista, ao lado de resiliência. “Até alcançar o resultado esperado de uma pesquisa, existe um trabalho extenso, que envolve falhas. Assim, ter esta capacidade de persistir perante as adversidades é um traço de todos os pesquisadores”. 

Ela inclui, ainda, a dedicação e comprometimento pelo trabalho desenvolvido e, mais do que tudo, ter curiosidade científica, vontade de aprender e divulgar a ciência para todos. E cita a fala da professora Mildred Dresselhaus (docente no MIT, EUA, que faleceu em 2017), uma grande cientista na área de nanomateriais de carbono. 

“Ela sempre dizia: ‘siga seus interesses, obtenha a melhor educação e treinamento disponíveis, defina suas metas, seja persistente, flexível, mantenha suas opções abertas, aceite ajuda quando oferecida e esteja preparado para ajudar os outros’”, completa. 

Apoio e agradecimento 

Para fechar, Cecilia agradece ao MackGraphe, ao IPM, e à EE da UPM, por terem dado a oportunidade de iniciar a carreira como pesquisadora independente na Instituição ainda muito jovem, aos 28 anos.  

Ela assinala que o apoio Institucional é importante, criando um ambiente de trabalho onde seja possível desenvolver ciência de impacto. “Além disso, todas as agências de fomento são de grande importância para o financiamento dos trabalhos. Assim, deixo meus agradecimentos ao Fundo MackPesquisa, do IPM; CNPq e Fapesp, por financiarem os projetos desenvolvidos em meu grupo de pesquisa”. 

A doutora agradece e parabeniza também a todos os alunos e pesquisadores que trabalharam com ela ao longo destes anos. “Trabalhando juntos, sempre vamos mais longe!”, finaliza a professora.