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O que é a Indústria 4.0?

A Quarta Revolução Industrial tem como pilares a Internet das Coisas e Big Data

24.08.201811h00 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Conhecida também como Quarta Revolução Industrial, a chamada Indústria 4.0 surgiu de uma necessidade de desenvolver a tecnologia do governo alemão. No entanto, tomou proporção maior do que foi originalmente pensada e hoje engloba várias ações de desenvolvimento de tecnologia e tendências que serão vistas nos próximos anos, inclusive no Brasil.

A Indústria 4.0 é o nome dado às transformações que ocorrem nas empresas no processo de “digitização” (transformar o negócio para digital) de grande parte de seus ativos e que engloba tecnologias para automação e troca de dados, utilizando conceitos de sistemas ciberfísicos, IoT (Internet das Coisas, na sigla em inglês), computação em nuvem, produção sob demanda, proximidade com clientes, nanotecnologia, inteligência artificial, robótica, big data, analytics, computação quântica e cognitiva, entre outras.

Para falar mais sobre este assunto, o engenheiro mecânico Alexander Christian Korb, atual chefe de Operações de Gerenciamento de Projetos da Volkswagen na América Latina, bateu um papo com a gente a respeito do tema, dando uma prévia do que apresentará em sua palestra, em 04 de setembro, durante a XXX Semana da Escola de Engenharia* da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Acompanhe a seguir.

Qual é o nível de desenvolvimento do Brasil em relação à Indústria 4.0?

Eu diria que está caminhando. Esse conceito já é debatido há alguns anos no país, então, já há muita mobilização em relação à Indústria 4.0. Ela é a indústria do futuro e está baseada em oito pilares tecnológicos já desenvolvidos e consolidados individualmente.

Um deles é a impressão 3D, tecnologia que fala de adicionar um material numa impressão e se ter uma peça, um item que não é mais um protótipo apenas. Ou com a prototipação feita a partir de uma impressão 3D. Uma outra ação é toda a digitização por trás dos processos, pois tenho tudo dentro do computador, com softwares que podem simular qualquer coisa que diz respeito a um futuro processo que será implementado fisicamente.

Há riscos para uma empresa adaptada à Indústria 4.0?

Eu diria que o big data (acúmulo de dados variados e complexos de análise que influenciam as decisões estratégicas de empresas) pode ser um risco. Se você não tem certas medidas de segurança e bloqueios, pode estar expondo todo o seu conhecimento, os dados confidenciais da empresa, em algum lugar que não esteja protegido. Eu vejo isso como um risco de algo confidencial sendo replicado, duplicado.

No entanto, olhando riscos de, por exemplo, ter uma fábrica digital, não há nenhum. Pelo contrário, se você não tiver a indústria 4.0, ou estiver pensando em ter, existe o risco de não conseguir ser concorrente em um mercado onde todos atuam no contexto da Indústria 4.0. É o caminho, é a tendência. É sobrevivência, na minha opinião.

Discute-se que a Indústria 4.0 não diminuirá o número de empregos, mas ocasionará a falta de funcionários capacitados. O que as empresas poderão fazer a esse respeito?

Treinamentos, basicamente. Imagine que, na época da Primeira Revolução Industrial, para se fazer atividade recorrentes, as pessoas não precisavam de certos treinamentos. Porém, assim que entrou uma certa mecanização, as pessoas precisaram ser treinadas para operar as máquinas. Além disso, essas máquinas também precisaram ser construídas por alguém. Então, toda essa questão de se ter um desenvolvimento com investimento em treinamento, capacitação de pessoas, etc., é algo normal quando se tem um degrau de evolução.

Não basta apenas implementar a tecnologia, é necessário treinar as pessoas, ter incentivos públicos e profissionais na indústria e todas as entidades atuantes para promover o desenvolvimento tecnológico nas faculdades, na escola, para se começar com projetos de base, isso é determinante.

Em 1990, por exemplo, não havia robôs na linha de manufatura, ou havia poucos. Quando você olha hoje, só existem robôs numa linha de armação. Os robôs precisam ser coordenados, produzidos, cuidados por pessoas que tenham capacitação para isso. Tudo é treinamento, no fim das contas.

No que diz respeito à educação para a Indústria 4.0, há poucas escolas, tanto na Alemanha quanto nos Estados Unidos e no Brasil, que estão se organizando para essa nova revolução. Então, um dos maiores riscos é o de as pessoas não estarem preparadas para a Indústria 4.0. A tendência é a de que os profissionais sejam transferidos de funções, algumas delas deixarão de existir e novas serão criadas. Mas isso é normal em toda revolução. Dizem que, daqui a 20 anos, 80% das funções não existirão mais, mas haverá novas.

Qual a importância dos alunos do Mackenzie estarem atualizados nesse assunto?

Eles são a nova geração, fazem parte daqueles que implementarão essa nova tecnologia, então, nada melhor que eles terem contato com todo esse processo já cedo na faculdade. Eu me formei em 1999 e, antes, em 1996, havia surgido a internet. Hoje, é impossível pensar em um mundo sem ela. Na época, eu tive contato com pessoas que já trabalhavam com a internet. Pelo ponto de vista do conhecimento, é fundamental um estudante ter uma visão de futuro. A Indústria 4.0 talvez seja uma visão de futuro para os próximos 10, 20 anos, e terão outros passos, mas essa constante atualização dentro da faculdade é fundamental!

Saiba mais sobre este e outros assuntos na XXX Semana de Engenharia da UPM

Entre os dias 03 e 06 de setembro, a XXX Semana da Escola de Engenharia do Mackenzie ocorrerá no campus Higienópolis com uma robusta programação, abarcando diversas áreas da faculdade. Alexander Christian Korb virá à UPM para a palestra sobre Indústria 4.0, no dia 04 de setembro, às 20h30 no auditório Ruy Barbosa. Confira a programação completa do evento neste link.