Ensino virtual: Como crianças e professores lidam com as aulas on-line?

Professores e alunos do Colégio Presbiteriano Mackenzie relatam suas experiências no período de aulas remotas

13.07.202010h33 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Com as medidas de isolamento social impostas pelo atual momento de pandemia, a sala de aula foi reinventada por meio da tecnologia. Mas como manter o conteúdo atrativo sem deixar de lado a educação de qualidade?

Os Colégios Presbiteriano Mackenzie (CPM) desde o início do sistema de aulas remotas adotaram um programa pedagógico que se desenvolve por meio de sequências didáticas alternando momentos assíncronos e síncronos comprometido com o engajamento e interatividade com o aluno. Para a professora do 2º ano do Ensino Fundamental do CPM São Paulo, Vanessa Motta, é preciso utilizar as ferramentas disponíveis para fazer com que a tela pela qual o aluno assiste às aulas seja uma aliada da escola.

No CPM, além das videoaulas gravadas e atividades de todas as disciplinas serem acessadas via a plataforma Moodle, os estudantes podem interagir ao vivo com os professores por meio das lives de 45 minutos realizadas diariamente.

“Todos os alunos expõem pesquisas, tarefas, tiram suas dúvidas e construímos juntos o conhecimento. É o momento em que nos aproximamos, matamos a saudade e aprendemos juntos”, afirma a professora.

Outro ponto de encontro utilizado é o padlet, plataforma na qual os estudantes enviam as tarefas em formato de vídeo, fotos e músicas e todos podem ver os conteúdos postados. De acordo com a professora, trabalhar o conteúdo com imagens e sons faz com que o interesse do aluno seja maior e o estimula a participar. Além disso, as aulas contam com o IscoolApp, um aplicativo que permite ao professor se comunicar com os pais e solicitar com antecedência os materiais que serão necessários para determinada aula. 

Adaptações para o mundo virtual

Vanessa define como desafiadora a tarefa de conquistar a atenção dos alunos e que o principal objetivo da aula, além de transmitir o conteúdo, é fazer com que haja interação entre as crianças porque, segundo ela, esta é uma importante ferramenta na construção e fixação das matérias vistas em aula.

“Eles precisam participar da aula e não só ouvirem. A aula on-line precisa ser dinâmica e prazerosa”, completa Vanessa.

Alguns combinados são feitos a cada aula da professora Vanessa: deixar os microfones mutados, separar o material que será usado, estar em um ambiente adequado e cumprir as atividades propostas. Sempre é reforçado que o momento é de estudo e, desde o início da pandemia, Vanessa observou mudanças positivas no comportamento dos alunos.

“A distância provocou a vontade de estar perto. Eles querem participar das atividades, mostrar habilidades, ver os amigos e professores. Tornaram-se mais ativos e participativos”, finaliza a professora.

Outra boa novidade foi a aproximação da família com a escola, o que, antes da pandemia, nem sempre era possível. Como ainda são pequenos, muitos pais acompanham as aulas dos estudantes e, de certa forma, contribuem para a construção do conhecimento.

Dia a dia dos alunos

Para a aluna Ana Victoria Moraes de Almeida, do 5º ano do Ensino Fundamental do CPM, a aula on-line é muito diferente da presencial, porém a experiência tem sido positiva. Durante esse período, a aula que Ana Victoria destaca é a de História, pela maneira como a professora explica o conteúdo e pelos recursos utilizados, como vídeos, o que, segundo a aluna, possibilita maior interação em aula. A disciplina de Artes também é uma das que ela mais gosta, especialmente pela liberdade no uso dos materiais.


Ana Victoria durante os estudos 

Com o novo regime de aula, Ana Victoria criou uma rotina de estudos, o que a ajuda a manter uma linha de raciocínio. “Procuro fazer em uma ordem. Assisto a videoaula e já concluo as tarefas e formulários, e aí passo para outra matéria. Assim, até 13h30, estou livre e posso fazer outras coisas”, disse.

Segundo a aluna do 2º ano do Ensino Fundamental do Colégio Presbiteriano Mackenzie São Paulo, Manuela Canellas Tropiano, tanto as aulas presenciais quanto as on-line são legais. Quando não está no seu tempo livre, suas aulas prediletas são de Artes e Matemática. A primeira porque gosta muito de desenhar e a segunda porque se diverte aprendendo. 


Manuela assistindo aula on-line

Para não se distrair e conseguir ter um bom entendimento do conteúdo passado, Manuela prefere assistir às aulas em um ambiente sem brinquedos e olhar só para a tela do computador, com o objetivo de prestar atenção ao que a professora explica. “Procuro não fazer duas coisas ao mesmo tempo, como assistir aula e fazer uma outra atividade, porque isso me desconcentra”, relata. 

Outro aluno que precisou se organizar novamente foi o Miguel Kort de Lima, de 6 anos, que está no 1º ano do Ensino Fundamental do CPM. Sua mãe, Thais Kort, explica que, pelo filho apresentar o transtorno do espectro autista (TEA), ela precisa acompanhá-lo e participar também das aulas on-line. “Ele gosta de todas as atividades, desde que venham adaptadas e dinâmicas”, afirma.

Apesar de ser um desafio, Thais diz que está sendo muito gratificante fazer parte desse dia a dia e se dedicar ao desenvolvimento do filho.


Miguel e sua mãe, Thais, durante as atividades do Colégio

Em seu tempo livre, Miguel gosta de recortar figuras, assistir desenhos e brincar com os pais. Como explica Thais, assim como muitas famílias, foi necessária uma adaptação no início da pandemia. “Criamos uma nova rotina em casa para conciliar estudos, brincadeiras e atividades do lar”, finaliza.