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Discussão sobre racismo nas universidades

Simpósio no Mackenzie aborda escravidão e abolicionismo

14.11.201817h20 Comunicação - Marketing Mackenzie

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Simpósio no Mackenzie aborda escravidão e abolicionismo

“Eu gostaria que essa reflexão fosse cotidiana e se tornasse pauta dos eventos das universidades, permanentemente. Deveria ser uma espécie de estilo, uma postura crítica das instituições de ensino”. Esse é o sentimento do reverendo José Roberto Alves Loiola, autor do livro Protestantismo, escravidão e os negros no Brasil: metodismo de imigração e afro-brasileiros, convidado que palestrou no Simpósio de Protestantismo, Escravidão e Abolicionismo, realizado no auditório Escola Americana da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM),  no campus Higienópolis, em 08 de novembro.

Segundo o reverendo, “os temas voltados à negritude são falseados e a discussão é meramente celebrativa e muito rasa na sociedade brasileira atual. Ela acontece uma vez por ano somente no mês de novembro”, destaca Loiola. Para ele, a continuidade em realizar pesquisas, incentivar os estudos e refletir sobre a temática durante o ano todo são pontos cruciais para encarar o racismo que ainda dita regras, mesmo depois da abolição.

Mackenzie e a inclusão

A preocupação com a inclusão sempre fez parte do DNA do Instituto Presbiteriano Mackenzie (IPM). No interior da residência do casal Chamberlain, nos anos de 1870, George e Mary Annesley Chamberlain começaram a dar aulas e fundaram a Escola Americana. “Os dois conquistaram um espaço na linha do tempo da educação por acolherem filhos das minorias discriminadas, principalmente crianças de escravos”. É o que afirma Marcel Mendes, diretor do Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT) da UPM, que também participou do Simpósio. Mendes baseou suas declarações em sua pesquisa: “George W. Chamberlain: A Consciência da Inclusão”.

Mendes explica que a Universidade tem responsabilidade em relação à realidade social e afirmou que a reflexão acadêmica é um ponto que traz consistência e também resgata aspectos históricos, contribuindo para a sociedade.

“Nós temos esse dever, pois possuímos essa interface muito viva com a população e não podemos nos omitir e nos abstrair. Não podemos ocupar o espaço daquela chamada torre de marfim, como algumas universidades mais antigas se posicionaram, totalmente alheias à realidade. Estamos dentro de um contexto, e podemos não apenas refletir e discutir, mas também contribuir pela missão realmente inerente à existência da universidade, sobretudo uma instituição que tem nossos princípios e valores”, pontua o diretor do CEFT.

Lugar de fala

“Realizar eventos e debates como esse Simpósio é muito importante porque diz respeito à valorização do afro-descendente. Nós nos sentimos valorizados quando somos convidados a falar de nós mesmos e das questões sociais que permeiam todo esse processo histórico”, conta Loiola.

O reverendo se mostrou emocionado, pois disse que o convite do Mackenzie foi o primeiro que recebeu de uma universidade para palestrar sobre o tema. “Eu me senti aquecido por vocês, pela presença de vocês, estar com os demais professores, pesquisadores, intelectuais, estudantes”.

Ele ainda ressalta ser um momento estimulante para dar continuidade à sua pesquisa. “É bom saber que esse tema não morreu e que não foi esquecido. O Mackenzie está de parabéns, porque está dizendo que quer dar continuidade às discussões, pesquisando, refletindo e incentivando sobre o debate desse tema”, finaliza o convidado.

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