Dia da Consciência Negra: filmes e séries que falam sobre racismo

Confira a lista feita pelo professor de direito Adilson José Moreira

19.11.201916h39 Comunicação - Marketing Mackenzie

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No 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra, data escolhida em referência à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da resistência dos negros escravizados. Nesta data, relembra-se a luta dos negros contra a opressão, algo que é histórico, como aponta o professor Adilson José Moreira, da Faculdade de Direito (FDir) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). “Os debates sobre raça e racismo despertam atenção de um número cada vez maior de pessoas, embora muitas delas ainda acreditem que esses temas não têm relevância social, sendo apenas uma discussão que interessa a grupos que os utiliza por interesses políticos”, diz. 

Neste contexto, em que o racismo faz parte de uma estrutura histórica, econômica e política em diversos aspectos da vida social e enraizado culturalmente, filmes e séries são um ótimo caminho para aprender mais sobre o assunto, desconstruindo pensamentos e convidando a reflexões, pois “mostram que o racismo é um mecanismo de exclusão, que opera no plano individual e institucional para legitimar práticas discriminatórias, é reproduzido no plano cultural por meio de estigmas e estereótipos formados para convencer a sociedade que só pessoas brancas são atores sociais competentes”, assinala o professor. 

Por isso, a edição do Favoritei Mackenzie dessa semana traz as indicações de filmes e séries do professor Moreira, produções que são importantes para se falar sobre o racismo estrutural. Confira:  

1 – Preciosa, uma história de esperança (Precious, Lee Daniels, 2009)

“Filme que retrata o difícil ajustamento psicológico de uma adolescente negra vítima frequente de violência sexual intrafamiliar. Um estudo contundente de como a combinação do racismo cultural e do racismo estrutural promove a degradação psíquica dos indivíduos. Ao contrário do que a tradução brasileira do título original sugere, não há esperança para a personagem principal. Oportunidades materiais e respeitabilidade social são coisas que não estão ao seu alcance”.

2 – Olhos Que Condenam (When they see us, Ava DuVernay, 2019) 
 

“Uma análise muito interessante da forma como repórteres, policiais, promotores e juízes brancos atuam de forma coordenada para criminalizar homens negros. Notamos aqui não apenas a ação discriminatória de diversos atores envolvidos na administração da justiça, mas também como o sistema criminal opera como um meio de opressão voltado especialmente a pessoas negras”.

3 – Doze Homens e Uma Sentença (Twelve angry men, Sidney Lumt, 1957)

“Este filme completa o anterior em um ponto importante: ele desenvolve um estudo pormenorizado da psicologia social da discriminação. Vemos aqui como estereótipos descritos e prescritivos operam na mente das pessoas e como eles influenciam o resultado de decisões judiciais. A raça determina diretamente a deliberação sobre a culpabilidade do acusado por ser um dos meios principais a partir dos quais avaliações morais sobre as pessoas são feitas”.

4 – Fresh (Boaz Yakin, 1994)

“Associações entre negritude e delinquência são frequentes nos meios de comunicação, sugerindo uma disposição natural de negros para a criminalidade. Este filme, talvez o melhor desta lista, nos ensina que a motivação do crime não deve ser procurada apenas no indivíduo, mas, principalmente, nas condições materiais e culturais nas quais ele vive. Isso é especialmente verdadeiro quando falamos sobre o problema do tráfico de drogas nas comunidades negras periféricas”.

5 – BlackMiror: Queda Livre (Nosedive, Joe Wright, 2016)

“Como o racismo existe para garantir o acesso privilegiado ou exclusivo de pessoas brancas a oportunidades sociais, devemos analisar as formas como ele opera para atingir esse objetivo. Nessa realidade distópica, as pessoas são conectadas a um dispositivo que permite a todas elas atribuir notas aos indivíduos em todas e em quaisquer situações. O acesso a direitos depende diretamente dessas avaliações, motivo pelo qual elas sempre procuram se ajustar às prescrições sociais. O sistema opera da mesma maneira que o racismo: julgamentos morais a partir da raça estão sempre determinando as chances que os indivíduos podem ter para poderem ser integrados à sociedade”.