GLOBALIZAÇÃO E FLUXO DE INVESTIMENTO DIRETO PRODUTIVO

09.02.201814h14 Álvaro Alves de Moura Jr. e Joaquim Carlos Racy

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O aumento da liquidez internacional, sobretudo a partir da década de 1990, tem ocasionado uma expressiva ampliação nos fluxos de capitais de portfólio e de Investimento Estrangeiro no País (IDP), movimento que expressa o atual estágio das amplas relações econômicas globais.

Os fluxos de IDP, assim como os fluxos de comércio internacional, estão proporcionando um processo de integração funcional das empresas multinacionais, caracterizando o atual contexto econômico mundial, que cada vez mais se baseia numa cadeia de produção que interliga uma sequência de funções operacionais, na qual cada etapa tem agregado valor ao processo de produção de bens e serviços.

As cadeias globais de produção dispostas pelas empresas multinacionais estão, geralmente, caracterizadas pelo seu poder de coordenar e controlar as operações em mais de um país, e que desenvolvem, para tanto, mecanismos cada vez mais sofisticados de relações intra e interorganizacionais.

Ao analisar o fluxo mundial de IDP, verifica-se que os mesmos apresentaram uma tendência de crescimento bastante significativa, que foi interrompida pelos períodos de crise internacional, com destaque para os anos de 2002 e 2008, conforme mostra o Gráfico 1.

Outra importante evidência encontrada, com relação a análise desses fluxos de capital, refere-se aos países acolhedores dessas empresas. Antes da década de 1990, os principais países acolhedores faziam parte do grupo das economias desenvolvidas. No entanto, o que se tem a partir de então é o aumento da participação dos países em desenvolvimento, não obstante tal tendência se mostre errática em certos momentos, conforme mostra o Gráfico 2.

Analisando individualmente os fluxos para os Países acolhedores, temos que os Estados Unidos receberam 16,3% do fluxo total acumulado entre 1990 e 2016, seguido pela China e Reino Unido. Deve-se destacar, ainda, a importância relativa do Brasil nesse contexto, uma vez que fomos o oitavo País do mundo que mais recebeu IDP ao longo do período analisado, conforme mostra o Gráfico 3.

Várias conclusões podem ser tiradas dessas informações, que passam pela redução da participação dos Estados Unidos no fluxo global, apesar da manutenção de sua efetiva predominância, o crescimento da participação chinesa - que está no bojo de sua ascensão no sistema internacional - além da participação do Brasil nesse fluxo. Todavia, o espaço aqui não nos permite fazer neste momento tais avaliações, que serão objeto de análise dos próximos artigos que faremos ao longo deste ano, os quais procuraremos descrever não apenas alguns detalhes relacionados aos fluxos dos países acolhedores desses capitais, mas também quais os países “exportadores” de investimento direto, quais os principais setores envolvidos, bem como analisar o grau de internacionalização de algumas economias a partir desses indicadores, relacionando-os às chamadas cadeias globais de valor, temas que têm sido os nossos objetos de pesquisa nos últimos anos.