Saúde e Bem-Estar

Dia Internacional da Enfermagem: dedicação e amor ao próximo

Em entrevista, enfermeiros contam suas histórias na profissão e falam sobre a pandemia da covid-19

12.05.202009h00 Comunicação - Marketing Mackenzie

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“É nossa classe que passa maior tempo com os pacientes, cuida de cada detalhe e conhece mais do que o caso; conhece a pessoa. A enfermagem requer amor. Necessita de um espírito altruísta e de uma vontade genuína de ajudar o próximo”, diz Ana Paula Letícia Domingos, enfermeira estomaterapeuta do Hospital Evangélico Dr. e Sra. Goldsby King - Mackenzie, sobre sua profissão. 

Nesta terça-feira, 12 de maio, é comemorado o Dia Internacional da Enfermagem, data escolhida em homenagem ao nascimento de Florence Nightingale, considerada a enfermeira mais famosa da história, nascida no dia 12 de maio de 1820, em Florença, na Itália. Criada na Inglaterra, Florence foi fundadora da enfermagem moderna, além de ser a pioneira no tratamento de feridos em guerras, com destaque para seu trabalho durante a Guerra da Crimea.

Amor pela profissão 

Cláudio Braulino da Silva é enfermeiro emergencista no Hospital Evangélico Dr. e Sra. Goldsby King - Mackenzie. Questionado do motivo de ter escolhido a enfermagem, ele responde que, na verdade, foi a profissão que o escolheu. “Amo pessoas, amo ajudar, amo acolher e proteger e é muito fascinante cuidar do bem-estar do paciente”, afirma. 


Foto: Enfermeiro Cláudio Silva 

A dedicação ao próximo também motivou a Ana Paula Letícia Domingos na escolha da carreira. Hoje ela é enfermeira estomaterapeuta no Hospital Evangélico. “A parte mais importante é o amor. Literalmente uma doação de corpo e alma ao processo de cura”. A enfermagem, de acordo com ela, proporciona ensinamentos, aprendizagens e trocas.

“É entender que um minuto é muito tempo para quem está entre a vida e a morte e pouco tempo para quem está se despedindo”, pontua Ana Paula. 

A história de Elenice Brandão, enfermeira coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde do mesmo hospital, começou bem cedo, ainda na infância. Sua mãe sustentava, sozinha, os nove filhos trabalhando de plantão em três hospitais diferentes como auxiliar de enfermagem. Quando não estava no trabalho, usava todo o tempo disponível para cuidar dos seus pequenos e também dos moradores do bairro, que a procuravam para aferição de pressão e aplicação de injeções. 

“Sempre alegre, com muito amor, carinho e dedicação, ela ajudava a todos gratuitamente. Quando precisava que alguém aplicasse medicação nela, eu era sua enfermeira. Devia ter entre 7 e 8 anos quando ela me ensinou a aplicar medicação. Ali eu me apaixonei de vez”, conta a coordenadora.


Foto: Enfermeira Elenice Brandão 

Decidida a seguir os passos de sua mãe, depois de fazer o ensino médio junto ao curso técnico de enfermagem, Elenice atuou como tal por 10 anos. Quis também cursar a graduação em enfermagem e hoje trabalha na área há 13 anos. “Não me vejo em outra profissão”, pontua.

O trabalho e a pandemia 

O trabalho e esforço da famosa enfermeira Florence Nightingale rende frutos até o dia de hoje. Muitos profissionais dedicam tempo, amor e esforço para salvarem a vida do próximo. E, hoje, em meio à pandemia do novo coronavírus, arriscam também suas vidas. 

O estresse e a pressão de lidar com o ofício também são temas citados por Ana Paula, além do risco de adoecer e de contaminar outras pessoas ou gerar ansiedade e depressão. “É o desafio em lidar com o ‘desconhecido’, visto que o mundo foi pego de surpresa e sem preparação habitual para lidar com a pandemia, com o surgimento de novas diretrizes a cada dia, novos manuais para adequação no combate à doença e proteção”, completa Ana Paula. 


Foto: Enfermeira Ana Paula Domingos

A enfermeira Ana Paula também aproveita para defender a importância do isolamento social, estratégia temporária para “controlar o vírus e o que ele pode fazer com a humanidade e com cada um de nós”, explica. 

Para Silva, a maior dificuldade enfrentada na área da enfermagem no cenário da pandemia do novo coronavírus, além de cuidar de sua própria saúde, “é cuidar da saúde de toda sociedade e fazer com que a população se conscientize e respeite o isolamento social”.

E Elenice reforça os cuidados necessários para as pessoas que saem de casa para trabalhar. “Utilizem máscaras, respeitem o distanciamento mínimo de um metro entre as pessoas e higienizem as mãos com frequência”. 

Desafios da Enfermagem

Segundo o estudo realizado pelo Conselho Federal de Enfermagem, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, durante a pandemia do coronavírus, os principais problemas enfrentados pela classe são jornadas estendidas e condições de trabalho mais difíceis que as normais, por conta da alta demanda de determinados insumos e equipamentos de proteção individual. Ainda de acordo com a pesquisa, em situações de quadros clínicos que demandam cuidados intensivos, há apenas um enfermeiro para, aproximadamente, dois pacientes nessas condições.

Para o enfermeiro Silva, um dos maiores desafios da área é a sua valorização perante as autoridades e perante a sociedade, independentemente de uma pandemia.

“Sempre tivemos um papel muito importante, somos a única equipe multidisciplinar a ter o contato direto com o paciente por 24 horas, desde a entrada até a sua alta”, pontua o enfermeiro. 

Elenice concorda com seu colega de trabalho e afirma que a enfermagem precisa ser mais valorizada, diminuindo longas jornadas e, assim, a fadiga dos profissionais.

Ana Paula reforça ainda que a enfermagem deve ser uma grande aliada da população e defensora dos direitos de todos os cidadãos. “Há momentos de desgaste físico e emocional, mas quando se abraça essa profissão de coração, ela nos dá verdadeira satisfação”, completa.