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25 anos do curso de Jornalismo: o formato das reportagens em podcasts e plataformas de streaming

Evento discutiu os desafios e as possibilidades de inovação no jornalismo narrativo  

06.05.202518h46 Jullia Oliveira, sob supervisão de Camila Lippi

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25 anos do curso de Jornalismo: o formato das reportagens em podcasts e plataformas de streaming

O curso de Jornalismo do Centro de Comunicação e Letras (CCL) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) completa 25 anos e, como parte das comemorações, realizou na última terça-feira, 29 de abril, uma série de palestras em torno da temática “O Jornalismo está em trânsito, e nós?”, com convidados especiais para o debate sobre as oportunidades e o futuro da profissão. 

Parte da programação, a palestra “A reportagem em podcasts e plataformas de streaming” contou com a participação de três profissionais de destaque no jornalismo narrativo: Bárbara Rubira, roteirista e produtora da Rádio Novelo, que coordenou séries como Tempo Quente e Nenê da Brasilândia; Eliane Scandovelli, ex-repórter do programa Profissão Repórter, da TV Globo; e Stela Diogo, produtora de podcasts na Agência Pública. 

Mediada pela professora Patrícia Paixão, a conversa teve como foco o uso das novas linguagens no jornalismo em áudio e vídeo. Segundo a docente, esse tipo de narrativa ainda é recente no mercado, mas vem ganhando força e espaço nas salas de aula. “Essas novas formas de contar histórias são mais difíceis de encaixar no jornalismo tradicional, mas nas plataformas digitais é possível explorá-las de maneira mais ampla. Por isso, buscamos incentivar os alunos a estudarem e experimentarem essas linguagens”, enfatizou Patrícia. 

Durante a palestra, as convidadas compartilharam suas trajetórias e refletiram sobre como encontraram no streaming e nos podcasts uma nova forma de fazer jornalismo. Eliane Scandovelli contou que, por muito tempo, acreditava que o impresso era o único “jornalismo puro”. A mudança veio quando passou a se interessar por narrativas audiovisuais e se especializou em documentários. 

Scandovelli destacou a importância de contextualizar os personagens para que o público se conecte emocionalmente com a história. “Quando o espectador conhece quem está por trás daquela notícia, ele se envolve mais profundamente com o conteúdo”, compartilhou.  

A produtora Stela Diogo revelou que sempre teve interesse pela produção de conteúdo e, inicialmente, chegou a questionar se essa atuação se enquadrava como jornalismo. Com o tempo, entendeu que sim, especialmente, ao perceber o poder que as narrativas têm para transformar pautas em experiências imersivas.   

“Furar a bolha do jornalismo tradicional e abordar temas relevantes por meio de narrativas é um desafio constante. Além de desconstrução, é também um processo contínuo de aprendizado”, afirmou Stela.  

Já Bárbara Rubira relatou que seu caminho foi diferente, pois nunca teve o desejo de ser repórter no modelo tradicional. Desde o início, se interessou pelo jornalismo narrativo em áudio. Para ela, o podcast permitiu unir sua paixão por contar histórias com o rigor jornalístico.   

“Quando contamos histórias, as técnicas tradicionais nem sempre se aplicam a esse novo formato de jornalismo. Então nós reaprendemos a escrever, com o intuito de envolver o ouvinte, para que as informações necessárias sejam ditas na hora certa, é um exercício de constante aprendizado”, completou Bárbara.  

No encerramento, as palestrantes discutiram os desafios e as oportunidades de quem deseja iniciar ou se manter nesse novo modo de fazer jornalismo. Ambas ressaltaram que, embora seja um campo mais acessível e democrático, exige planejamento, investimento e trabalho em equipe, destacando que o jornalismo em podcast e documentário não é uma prática solitária, pois para que as histórias ganhem força, é preciso colaboração e escuta ativa.