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Contentamento (1Tm 6.6-10)

O apóstolo Paulo, alertando seu jovem discípulo Timóteo disse a respeito que falsos mestres se levantariam muito mais preocupados com as riquezas que poderiam ganhar no exercício da religião do que com a pregação do evangelho. Este, disse ele, supõe que “a piedade é fonte de lucro” (1Tm 6.5b)

 

Para combater este tipo de comportamento, Paulo afirmou que esse não foi o ensinamento deixado por Jesus. Esses tais mestres, portanto, só poderiam ser falsos mestres porque suas palavras e ações em prol da obtenção dos bens matérias não eram compatíveis com as palavras e ações de Jesus.

 

Os falsos mestres eram materialistas. Paulo já idoso estava alertando sobre como identifica-los, mas também para que não se deixasse levar pelo mesmo caminho. De fato, no materialismo, residia uma força tentadora que pode levar o povo de Deus a cair.

 

Paulo pôde ensinar a respeito do materialismo para Timóteo com grande autoridade porque ele mesmo já havia tido altos e baixos em sua vida ministerial no que tange ao sustento pessoal (Fp 4.12-13). O resultado disso foi que ele aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. (Fp 4.11).

 

O remédio contra o materialismo conforme narrado por Paulo é o contentamento ou frugalidade. Segundo o Dicionário Houaiss, a palavra frugalidade pode ser definida como “simplicidade, sobriedade de costumes, de hábitos etc.” Foram com palavras muito parecidas que Paulo orientou Timóteo: “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1Tm 6.8)

 

A lição direta que tiramos desse texto é que devemos nos esforçar para ter o necessário. Se Deus der mais do que o necessário, devemos ficar tão satisfeitos quanto se ele mandasse somente o necessário (Pv 30.8-9).

 

De igual modo Jesus nos ensinou e nos prometeu que jamais nos faltaria o necessário à vida. Primeiro ele nos ensinou que deveríamos orar somente pelo “pão nosso de cada dia” (Mt 6.11). Depois, confirmou este conceito dizendo que se Deus cuida das aves do céu e das flores do campo, não deveríamos nos deixar levar pela ansiedade quando ao alimento e as vestes (Mt 6.25-34). A aflição pelas posses materiais é um comportamento típico dos gentios (Sl 73. 7 e 12), daqueles que não conhecem e não sabem que existe um Deus que zela pelo bem-estar deles (Mt 6.32; Is 55.2). Com certeza, em vez de termos o coração nos tesouros deste mundo (Mt 6.19), devemos tê-lo em um bem mais duradouro (Mt 6.20-21), fruto de um reino eterno (Mt 6.33).

 

 

Rev. Fernando de Almeida

Capelão Universitário