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Eu Posso Fazer Melhor

A cada início de um novo ano tem-se a sensação de avaliação e recomeço. O momento histórico em que vivemos nos desafia, sobretudo, a avaliar e corrigir todas as concepções individuais pela perspectiva cristã, para retomar valores que são fundamentais na construção da cidadania responsável.

 

O princípio da responsabilidade pessoal e social tem sua raiz no monoteísmo da fé hebraico-cristã e foi um dos primeiros valores dados pelo Criador aos seres humanos. Ele deve permear todas as relações – com Deus, com a sua criação e os relacionamentos interpessoais –, mas, quando deixa de ser observado na conduta diária, funciona com um “efeito dominó” para o enfraquecimento e destruição de muitos outros valores.

 

Para os que recebem e preservam esse princípio desde cedo (na educação recebida dos pais, na escola e na vida), é mais fácil compreender e aceitar o fato de que aquele que faz o que quer deve estar pronto a suportar as conseqüências. Muitos há que, por serem “mimados pela vida e pelos pais, têm dificuldades de respeitar limites na vida própria e na vida dos outros”, conforme declarou o pastor Marcos Inhauser. 

 

O texto sagrado, no livro do Gênesis, após registrar a criação de todas as coisas, fala de um casal colocado em um paraíso onde tinha tudo o que satisfaria suas necessidades. Ali o casal recebeu a ordem do Criador para “cultivar e guardar” tudo o que fora entregue nas suas mãos (Gn 2.15). Poderia comer de tudo, menos de uma árvore. Não contentes com a limitação da plena liberdade, deram asas à tentação e quebraram o princípio fundamental: a sua responsabilidade. Em conseqüência esse casal perdeu a liberdade, passando a experimentar muitas situações desagradáveis e amargas.

 

Responsabilidade? Mas o que é isto? Na expressão de um livre pensador contemporâneo e compositor musical, “responsabilidade é o dever de cada indivíduo de fazer o que quer, o que pode e consegue”, conceito esse muito coerente com a maneira de pensar deste tempo pós-moderno. Agindo deste modo, o indivíduo facilmente estará usando da liberdade para dar lugar à irresponsabilidade, considerando que a nova concepção de liberdade torna-se sinônimo de ausência de limites, resultando na perda dos valores básicos da vida. A história ao nosso redor confirma isto com muitos exemplos: corrupção sistêmica na política e na economia, o caso da família Richthofen e tantos outros.  

 

A releitura da história do Éden pode levar-nos à compreensão, em nosso contexto, do princípio que está subjacente à ordem de “cultivar e guardar” aquilo que nos é dado realizar a cada dia. Em qualquer nível de função em que somos colocados, qualquer tarefa que vem às nossas mãos para ser realizada deve refletir o carinho e a dedicação, a consciência pessoal e o compromisso social. Fazendo-o conforme as nossas forças, com a certeza de que estamos a serviço primeiramente de Deus, estaremos fazendo o melhor para nós e para aqueles a quem servimos.

 

Que o ano de 2007 seja o melhor tempo para mostrarmos a aplicação de nossos talentos nas diversas oportunidades que nos surgem, cônscios das melhores escolhas que podemos fazer, para que o nosso trabalho seja agradável a Deus, pois o Mackenzie faz parte do nosso Éden.

 

 

 

Rev. Eldman Franklin Eler
Capelão Universitário