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Guarda o Teu Coração - Nº 148 - Setembro 2006

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” Provérbios 4.23

O ser humano sempre gostou de guardar coisas. Cada um tem as suas próprias preferências. Contudo, existem algumas que devem ter prioridade. Uma delas é o coração. Há uma parábola que ilustra claramente esta verdade.


Conta-se que certa mulher muito pobre, carregando uma criança no colo, passou diante de uma caverna e escutou uma voz que lhe dizia: “Entre e apanhe tudo o que desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porém, de uma coisa: depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal”.


A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, colocou a criança no chão e começou a juntar tudo o que podia em seu avental. Escutou a voz novamente: “Você só tem oito minutos”.


Esgotado o tempo, a mulher correu para fora da caverna carregada de ouro e pedras preciosas e a porta se fechou. Já do lado de fora, lembrou-se que a criança ficara presa na caverna. A riqueza durou pouco. O desespero, para sempre.


Assim tem sido a vida de muitos. Pessoas que se entregam de forma intensa à busca de bens materiais e se esquecem do mais importante: o coração. Esquecem-se ou não sabem que é dele que “procedem as fontes da vida”.


Segundo Salomão é no coração que se devem guardar os tesouros da palavra de Deus. Ele afirma: “Filho meu, atenta para as minhas palavras; aos meus ensinamentos inclina os ouvidos. Não os deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-os no mais íntimo do teu coração” (Pv 4.20-21).


Desde há muito o coração é visto como sendo a sede das emoções, da razão e do caráter. O Dr. Bruce Thompson pesquisou o significado da palavra “coração” na literatura bíblica e descobriu que 204 vezes ele se acha associado à mente, 195 vezes está relacionado à vontade, 166 vezes relaciona-se com as emoções e 257 vezes relaciona-se com o ser interior, com a personalidade.


Desta forma, guardar o coração é guardar-se a si mesmo. É se resguardar de tudo aquilo que é mau, negativo e prejudicial. O coração bem guardado é aquele que está cheio da Palavra de Deus, pois só ela pode restaurá-lo definitivamente e protegê-lo de todo mal. Por isso Davi dizia: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.10).


Por natureza o coração humano é perverso e está longe de Deus. Jesus afirmou: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos esses males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23).


Assim, necessário se faz que essa natureza corrompida seja amortecida e uma nova natureza seja criada, isto é, um novo coração. Esta é a promessa de Deus: “Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne; para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Ez 11.19-20).


A recompensa a ser alcançada por se ter um coração puro e protegido de todas as imundícias éticas, morais e espirituais encontra-se nos ensinos de Jesus sobre as bem-aventuranças. Ele afirma: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8). Com certeza não existe recompensa maior.

Rev. Carlos Alberto Henrique
Capelão Institucional