Sobre a Verdade e o Amor de Deus

"Porque agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor."
I Coríntios 13:12-13
Contrariando todas as previsões seculares que apontavam à falência e o descrédito da religiosidade percebe-se, nestes últimos anos, o ressurgimento da espiritualidade em todos os âmbitos e esferas da vida humana. Esse recente retorno ao Sagrado pressupõe uma nova percepção da realidade agindo e levando todas as áreas do conhecimento a repensar seus pressupostos a partir de uma visão mais orgânica e subjetiva da vida, com o propósito de buscar uma solução mais integral para os graves problemas e necessidades do mundo.
Na tentativa de dar um sentido à provável anomia existente, pela mediação do que se acredita ser a verdade, surge o problema do conhecimento, em forma de pergunta: como conhecer/saber uma realidade e julgá-la verdadeira?
É muito comum nestes dias, quando se precisa emitir qualquer juízo, recorrer aos sentidos. Acredita-se apenas naquilo que pode ser visto, ouvido e apalpado! Mas, serão os sentidos dignos de confiança? A resposta à pergunta é não. Por mais sensível que o ser humano seja, sabe-se que ele não está apto, por sua própria limitação biológica, a usar plenamente as suas percepções sensoriais.
Conseqüentemente, em virtude das limitações sensitivas, dar-se-á à razão enorme valor julgando ser ela a possibilidade mais confiável para o encontro com a verdade. O fato, porém, é que quando o ser humano se defronta com as questões últimas da vida, as situações-limite, o problema do sofrimento, das injustiças, nota-se que a razão padece das mesmas limitações dos sentidos. O pensamento entra em colapso e isto pode levar ao desespero humano.
Foi para tal situação que o apóstolo Paulo escreveu: “Agora, vemos como em espelho, obscuramente”. O ser humano em nossos dias revela uma grande dificuldade para perceber que a leitura reduzida de todos os mistérios que envolvem a existência humana tem como principal fator a visão curta e limitada que o caracteriza e o identifica como um ser historicamente influenciado pelas constantes contradições da vida.
Mas, não basta dizer que o problema está na visão reduzida do ser humano. O escritor bíblico vai além ao dizer: “Então conhecerei como também sou conhecido”. Embora não haja capacidade humana para conhecer todos os mistérios da vida, como ele próprio é conhecido, estes mistérios não devem apavorar mais. Neste caso, há uma alternativa ao desespero do homem: uma voz que o chama pelo nome indicando que o seu Criador conhece a constituição humana e sua realidade. Tantas vezes olha-se para a vida e não se compreende absolutamente nada, mas Ele entende e garante uma explicação para todos os problemas da existência, pois nos conhece e tem todos os nossos dias em Suas mãos.
Há uma última realidade ainda a apontar. Paulo indica algo de muito valor para os dias de hoje que, embora não seja completamente entendido, é possível ser sentido: a experiência do amor. Assim, há coisas na vida que não podem ser reduzidas a categorias racionais, pois as coisas mais belas da nossa caminhada humana só podem ser apreendidas pelo sentimento. O mistério da vida não pode ser apreendido pelos que simplesmente pensam, mas somente pelos que amam: “Quem ama, conhece a Deus”, diz o texto sagrado.
No cristianismo, sábios não são os que têm mais informações, mas os que são dominados pela experiência do amor divino, demonstrado em Cristo Jesus: Caminho, Verdade e Vida para todos nós.
Rev. Saulo Marcos de Almeida
