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Mais que Sobreviver. Viver Eternamente

O título traz à memória o desastre aéreo acontecido com o avião da Gol no vôo 1907, há poucos dias na selva amazônica. O mundo ficou perplexo diante desse acidente em que 154 pessoas não sobreviveram; apenas os sete passageiros do “Legacy 600” escaparam do momento fatal. Um dos sobreviventes é o jornalista norte-americano Joe Sharkey, que assim descreveu a sensação de estar entre a vida e a morte: Enquanto nossas esperanças se apagavam, como o sol, alguns dos passageiros começaram a escrever bilhetes para os cônjuges e familiares e a guardá-los nas carteiras, na esperança de que viessem a ser localizados mais tarde. Esses momentos se tornam cruciais para estimular a avaliação da vida na iminência da morte. É quando se pergunta no recôndito da alma: o que é viver? numa repentina reação contra a morte, repensando o valor das pequenas coisas como ir ao shopping com a família, curtir o cheiro do café em casa ou passear de bicicleta com o filho. Quando alguém se vê acometido por enfermidade ou algo que põe em risco a continuidade do viver, não se assusta tanto. Ainda que pareça avisado, o sofrimento da perda não é menor para os seus parentes e amigos.

 

 

Não obstante, haver recursos tecnológicos avançados no campo da medicina, melhorando a qualidade e a “expectativa de vida”, bem como as técnicas que asseguram o desenvolvimento físico e mental, contribuindo para minimizar doenças e mortalidade infantil, não se elimina a crise no inconsciente entre o desejo de viver e a realidade do nosso dia-a-dia.  Portanto, a questão que se impõe é a de uma constante aprendizagem para se lidar com a vida e a morte, a existência temporal e eterna. No momento da calamidade, do desastre inevitável, como a Tsunami qual um dilúvio a engolir todos de repente, pode reagir melhor aquele que tem uma força maior confiável em que se apoiar, assim como o declarou Davi: “Não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado” (Salmo 124.1), os perigos nos teriam submergido. 

 

 

Mas, por que tememos a morte? Pela certeza de que a experiência existencial aqui e agora não é a única dimensão da vida. O salmista tinha clara percepção de que a vida não se restringe à dimensão material. Crer assim é apequenar o que de mais valioso temos – a vida. Ela tem igualmente a inegável dimensão espiritual.

 

 

É pertinente observar a expressão do poeta sacro: “O Senhor é o meu pastor; (ele) refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Salmo 23). O vale da sombra da morte não lhe apavorava. Embora soubesse que suas forças físicas chegariam a um fim nalgum tempo futuro, a sua consciência de fé espiritual o afastava do temor e o impulsionava para a eternidade, dando-lhe segurança e ousadia para enfrentar as dificuldades. 

 

 

O texto sagrado escrito por Davi, chamado por alguns de “Salmo do pastor”, mostra o quanto o autor conhecia o Pastor do Salmo, evidenciado na expressão “ainda que”. Às vezes ocorre em nossa mente que tragédia, perda repentina e calamidade são coisas que acontecem com o vizinho, com os outros distantes, certos de que a nossa casa está sempre protegida. Podemos aprender com a experiência do salmista desde que reconheçamos nossa finitude e limitação.

 

 

O Pastor do Salmo na extensão do tempo se revelou em Cristo Jesus, que prometeu estar com os seus todos os dias até a eternidade. Na relação pessoal com ele podemos encontrar forças para superar os momentos sobre os quais não temos qualquer controle.

 

 

Ao deparar-nos com encruzilhadas cruciais, recorrer às justificativas da “sorte” ou do “destino” resultará em sustentações frágeis comparadas à força que Davi declara sentir ao dizer: “ainda que eu ande pelo vale [...] tu estás comigo”. Conhecia esse Alguém de poder e graça que andava com ele. Davi, não apenas compusera o Salmo do pastor, relacionava-se com o Pastor do Salmo todos os dias.

 

 

Rev. Eldman F. Eler
Capelão Universitário