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Uma Homenagem Justa - Nº 142 - Março 2006

A mulher sábia edifica a sua casa...”. Provérbios 14.1a

        

No dia 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi organizada a primeira greve da história conduzida unicamente por mulheres. Elas lutaram pela diminuição da jornada de trabalho de 16 para 10 horas por dia, bem como pelo direito à licença-maternidade, contudo foram reprimidas pela força policial.


Para se proteger muitas delas se refugiaram dentro da fábrica. Os portões, porém, foram trancados por fora e a policia ateou fogo no prédio por determinação dos patrões, causando a morte de 129 mulheres, carbonizadas e por asfixia.


Em 1908, aproximadamente, 14 mil mulheres marcharam pelas ruas de Nova Iorque exigindo os mesmos direitos que as operárias reivindicaram em 1857 e o direito ao voto. Caminharam com o slogan Pão e Rosas, o pão simbolizava a estabilidade econômica; as rosas, uma melhor qualidade de vida.


Na Conferência Internacional de Mulheres, realizada em 1910, na Dinamarca, Clara Zetkin propôs que o dia 8 de março fosse consagrado como o Dia Internacional da Mulher, o que só se tornou realidade em 1975, com a confirmação da ONU.


O Dia Internacional da Mulher é, certamente, uma justa homenagem à mulher que durante anos foi e continua sendo vítima de preconceito, humilhação, descaso e violência, entre outras coisas.


Esse dia deveria nos lembrar de que a mulher foi criada à imagem e à semelhança de Deus e que Cristo deu a sua vida em sacrifício na cruz não apenas em favor do homem, mas também da mulher; logo, devemos amar, respeitar e cuidar para que elas sejam tratadas com dignidade. O próprio Cristo as tratou assim.


A Bíblia registra a história de mulheres que se destacaram por sua fé e fidelidade a Deus. Citemos como exemplo Sara que concebeu já na velhice, vindo a ser mãe de Isaque, um dos patriarcas de Israel.


Lembramos da coragem de Joquebede, mãe de Moisés, que por três meses, não temendo o decreto do rei, escondeu Moisés. Depois ela mesma o educou de acordo com os ensinos de Deus, vindo, ele, a se tornar um dos maiores líderes da história de Israel.

 
Não podemos nos esquecer da sabedoria e obediência de Ester, que se tornou rainha no reinado de Assuero sendo instrumento nas mãos de Deus na preservação do seu povo. Muitas outras mulheres tiveram seus nomes registrados na história, Maria, porém, foi, indubitavelmente, a mais importante. Uma jovem virgem escolhida por Deus na encarnação de Jesus Cristo.


Maria é a mãe de Jesus. Que maravilhoso poder abrigar e desenvolver em seu ventre o próprio Filho de Deus. Ela reconheceu a grandiosidade da sua missão ao exclamar: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me consideração bem-aventurada, porque o Poderoso me fez grandes cousas. Santo é o seu nome.


Ao sair do cenário bíblico, encontramos na história o nome de mulheres que se tornaram líderes de grandes e abençoadas causas. Como não citar, por exemplo, o amor e devoção de Madre Tereza de Calcutá, que dedicou toda a sua vida em prol dos pobres da Índia, razão pela qual ganhou o Prêmio Nobel da Paz.


Em sua biografia não consta que tenha sido escritora nem oradora, ou uma intelectual nem polemista. Ela mesma se definia assim: Sou albanesa de nascimento. Agora sou uma cidadã da Índia. Sou também freira católica. No meu trabalho, pertenço ao mundo inteiro. Mas no meu coração, pertenço a Cristo.


Lembramos, ainda, de Mary Annesley Chamberlain, que em 1870 abriu às portas de sua casa e rompendo as barreiras do preconceito formou a primeira classe mista em escola brasileira, com três alunos: uma menina, um garoto de cor e um de ascendência estrangeira. Hoje, 135 anos depois, a instituição Mackenzie tem, aproximadamente, 35 mil alunos, de todos os credos e raças.


E como esquecer de tantas outras mulheres que desempenham sua missão com brilhantismo ímpar e insofismável. São dedicadas esposas, mães, garis, professoras, médicas, advogadas, engenheiras, empresárias, líderes políticas, comandantes, juízas entre tantas outras funções.


Ao comemorarmos o Dia Internacional da Mulher registramos o nosso mais profundo e sincero reconhecimento e a nossa mais devotada gratidão a essas heroínas que labutam diariamente, dando muito da sua força para a construção de uma sociedade melhor. Parabéns, mulher, pelo seu dia!

Rev. Carlos Alberto Henrique
Capelão Institucional