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A Busca da Felicidade - Nº 145 - Junho 2006

 Blaise Pascal afirmou que “todas as pessoas buscam a felicidade. Não há exceção para isso. Sejam quais forem os meios diferentes que empreguem, todos objetivam esse alvo. A razão de alguns irem à guerra e de outros a evitarem é o mesmo desejo de ambos, visto de perspectivas diferentes. A vontade nunca dará o último passo em outra direção. Esse é o motivo de cada ação de todo ser humano, mesmo dos que se enforcam ”.


Os símbolos de fé reformados declaram que “o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Catecismo Maior de Westminster).


Percebe-se que tanto Pascal, enquanto filósofo, quanto os teólogos reformados tinham a mesma visão quanto à necessidade do homem de ser feliz. Buscá-la é o fim principal do ser humano. A vida é vivida na dimensão da busca do prazer. As realizações, as conquistas, o possuir, o ser e o fazer são movidos por ela.

 
Os teólogos reformados do século 16 entenderam que a felicidade só poderia ser alcançada em Deus. Os escritores bíblicos já afirmavam isso. Vejamos alguns exemplos: “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.11); “Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração” (Sl 37.4); “A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (Sl 63.1); “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca” (Sl 119.103).


Nas palavras de C. S. Lewis, “nos Salmos Deus é o objeto que a tudo satisfaz”. Pode-se perceber, segundo a fé cristã, que o Eterno é visto como a fonte infindável de prazer. Somente nele o ser humano consegue saciar a sede mais profunda da alma. Pascal chegou a essa conclusão: “O homem já teve a verdadeira felicidade, da qual agora resta nele apenas o sinal e o espaço vazio, que ele tenta em vão preencher com as coisas ao seu redor, procurando em coisas ausentes a ajuda que não obtém nas coisas presentes. Essas, porém, são todas incapazes, porque o abismo infinito pode ser preenchido somente por um objeto infinito e imutável, ou seja, apenas pelo próprio Deus ”.


Nota-se que a verdadeira felicidade está em Deus. Naturalmente que não se pode fazer de Deus um meio para conquistá-la; antes, ele precisa ser um fim em si mesmo. Um dos grandes problemas da humanidade é buscá-la a despeito de Deus. Há os que a buscam por meio dele; contudo, apenas o usam para alcançar aquilo que desejam. John Piper afirma que “a felicidade mais profunda e permanente encontra-se apenas em Deus. Não com origem em Deus, mas em Deus ”.


Os escritores bíblicos, os teólogos reformados e Pascal estão cobertos de razão. Eles concluíram corretamente. O homem sempre buscou a felicidade e esta só é possível em Deus. Afastar-se dele é tolice; negar a sua existência é loucura; viver em desacordo com a sua vontade é estupidez.

 
A busca da felicidade se concretiza no exato momento em que se encontra Deus. O convite de Cristo é claro e inequívoco ao afirmar “e achareis descanso para a vossa alma”. Parafraseando Pascal, percebe-se que existe dentro de cada ser humano uma espécie de quebra-cabeça em que falta apenas uma peça: Deus. Não adianta tentar completá-lo com outra coisa. Drogas, bebidas, riqueza, luxo, fama, glória ou outra coisa qualquer não tem o formato desejado.


Diante de tais conclusões, basta seguir o exemplo do salmista quando afirma “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem” (Sl 128.1-2). Afinal, não é isso que todos querem?


Rev. Carlos Alberto Henrique
Capelão Institucional