O Nascimento de Jesus

“O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc. 2.10,11).
Jesus nasceu sem nenhuma pompa ou glória, desprovido de qualquer luxo. Abriu mão de sua própria glória com o Pai para ser como qualquer um de nós. No dia do seu nascimento não houve comissão de boas-vindas nem recepção com tapetes vermelhos. Nenhuma autoridade civil, política ou religiosa compareceu para saudá-lo. Max Lucado comenta que “se não fosse pelos pastores de ovelhas, não teria havido recepção. E se não fosse por um grupo de contempladores de estrelas, não haveria presentes”.
O Rei dos reis, o Senhor dos senhores, o Deus Criador de todas as coisas, o Todo-Poderoso, nasceu em total simplicidade. Paulo afirma: “... pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2.6-7).
Jesus chegou no silêncio frio e sepulcral da noite. Nasceu num humilde e sujo estábulo, entre os animais e o mau cheiro dos estrumes. Ali, depois de nascido, foi colocado numa simples manjedoura improvisada de capins. Max Lucado afirma: “Ele veio, não como um lampejo de luz ou como um conquistador inacessível, mas como alguém cujos primeiros gritos foram ouvidos por uma camponesa e um carpinteiro sonolento. As mãos que o sustentaram pela primeira vez eram calosas e sujas, mal cuidadas”.
Entretanto, o nascimento de Jesus, que segundo Paulo se deu na plenitude dos tempos, é o sinal mais visível da presença de Deus entre os homens, é a suma das revelações dadas por Deus. João explica: “... e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1.14).
Natal é a presença do Deus encarnado entre nós. É a troca da glória pela vergonha da manjedoura: humilhação! Natal é o início da mais dolorida das caminhadas terrestres que qualquer ser humano já fez (Isaías 53). É o prelúdio da via dolorosa, das perseguições injustas, das críticas infundadas. É a chegada da vida para se fazer morte, a presença do santo para se fazer pecado. O início do único caminho de retorno à vida, dádiva de Deus.
O nascimento de Jesus significa que o próprio Deus esteve aqui. Andou pelas estradas empoeiradas da Palestina. Fez sinais, realizou milagres, libertou cativos da escuridão, fez cegos enxergarem, mudos falarem, paralíticos andarem e até mortos ressuscitarem. Isso é tão significativo que o anjo do Senhor, ao anunciar o nascimento de Jesus aos pastores que guardavam seus rebanhos no campo, afirmou: “Eis aqui vos trago boa nova de grande alegria”.
Será que existe alegria maior do que a presença de Deus entre nós? Pois é exatamente isso que significa o nascimento de Jesus. Ele é Emanuel – Deus conosco.
Carlos Henrique
capelão
