Assistimos no decorrer da última copa mundial de futebol o clima emocional que expressou o quanto os seres humanos carecem de algo que os preencha e satisfaça seus anseios. Em certos momentos o futebol transformou-se em algo mais que apenas uma paixão nacional. A expectativa de ver o gol de sua seleção mostrou o quanto desejava experimentar a vitória. Milhares de torcedores pareciam estar agarrando algo que ainda estava distante.
Aquele estado de coisas remeteu-me à experiência de um dos filhos de Coré há muito tempo atrás, conforme registra o texto sagrado referindo-se ao profundo anseio do ser humano ao declarar o quanto a sua alma tinha sede do Deus vivo. Aquele salmista não cogitava encontrar seu povo, sua família ou amigos, mas, sim, ver-se cara-a-cara com Deus. Pensava em Deus como alguém que sente, ouve e fala, como alguém que está além dos discursos que se ouve ou faz. Seu anseio denota ver um Deus cujo poder e soberania fôra evidenciada na criação do universo e da vida humana (Salmos 24.1). O grito em sua alma dizia para consigo mesmo: Quero relacionar-me com um Deus que é tão pessoal que pode se relacionar comigo todos os dias dado o seu amor e sua graça, pois ele se importa com o mundo que ele criou. Foi talvez pensando assim que o Psicanalista Wilfred Bion concebeu Deus como ß???, VIDA. Ou seja, ele é mais que uma concepção filosófica.
Ouso dizer que a crise vivida pelo ser humano de nosso tempo é semelhante à daquele salmista que o expunha a ouvir de seus contemporâneos: “O teu Deus, onde está?” Ah! Que bom quando se sabe onde ele está!
Esta é uma questão que se colocada em termos pessoais, a resposta carece ser também individual. Tal conhecimento não se torna tão difícil quando se tem uma clara e correta compreensão de quem é Deus. Assim, pode se ver como a experiência do filho de Coré contrasta com a daqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas racionais para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimentos vários. Outros há que não encontrando uma razão lógica e racional para explicar os mistérios da fé, descartam a sua existência.
Partindo do pressuposto de que ele é a força maior que exerce domínios sobrenaturais, muitos buscam visualizá-lo dentro do seu mundo racional. Assim, para alguns ele está no uso inveterado de certas substâncias químicas ou físicas que se transformam em força de domínio sobre todo o ser, para outros, está nas forças da natureza que, por serem temíveis ou indomáveis, são transformadas em deuses. Para outros ele é a própria ciência capaz de dar respostas a quase todas as necessidades humanas. Até mesmo entre os cristãos vive-se o impacto da tecnocracia que oferece técnicas para tudo; técnicas para dar sustentação ao casamento, para criar filhos equilibrados, para uma oração ou prece eficaz, técnicas para alcançar a plenitude espiritual, etc. Estruturadas em formas de religião, essas técnicas reduzem a necessidade de Deus, criando atalhos e impondo encruzilhadas para o caminho da vida. O tecnicismo pode treinar o homem para tornar Deus dispensável.
A expressão do rei de Israel, “os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Salmos 19.1) confirma a sua afinidade pessoal e diária com ele. Os que buscam, não somente ver, mas experimentar Deus numa relação pessoal têm em seu Filho “o resplendor da glória e a exata expressão do seu Ser” que se encarnou para saciar a sede do ser humano e encontrar a melhor solução para suas crises no aqui e agora. “O teu Deus, onde está?”.