"Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”. Daniel 1.8
Este é o título da obra de Stuart Olyott que é um comentário sobre o livro de Daniel. Segundo os historiadores, quando Daniel foi levado cativo à Babilônia ele tinha apenas quatorze anos de idade. Daniel foi levado para uma cidade distante, ali ele foi obrigado a aprender toda a cultura e a língua dos caldeus. Daniel foi colocado num contexto ético, moral e religioso totalmente diferente do seu. Stuart Olyott afirma: “Afastados de seus lares, instruídos a esquecer seu Deus e intensivamente reeducados numa cultura pagã, o que aconteceria a estes jovens rapazes? Permaneceriam fiéis a seu Deus e ao que sabiam ser correto? Ou sucumbiriam?”.
Como podemos ver, Daniel tinha todas as razões e motivos para se tornar um homem perverso. Ele tinha motivos para se desviar dos caminhos de Deus. Poderia se transformar num homem devasso, entregue a luxúria, aos prazeres da carne, à bebedeira, à imoralidade e muitas outras coisas. Daniel poderia se deixar corromper eticamente, buscar prosperidade a qualquer custo, ser um político corrupto. Daniel tinha todas as razões para ser um dos piores homens da história do seu povo, entretanto nada disso aconteceu.
Não aconteceu porque desde o primeiro momento ele resolveu firmemente não se contaminar. Ele assumiu a postura da santidade. Muitas vezes achamos que é difícil, mesmo impossível, alguém ser íntegro e reto num contexto onde impera a imoralidade, a mentira, a corrupção, pois, segundo Rosseau, “o homem é produto do meio”, logo se torna impossível o homem ser diferente daquilo que o meio é.
Essa máxima não valeu para Daniel, visto que ele propôs no seu coração não se contaminar. Stuart Olyott comenta: “Espiritualidade e integridade de caráter não exigem condições ideais para se desenvolverem. Não são plantas que se desenvolvem sob a proteção da estufa, mas crescem melhor quando expostas à neve, ao vento, ao granizo, à seca e ao sol escaldante”. Daniel conseguiu viver toda a sua vida, com integridade, desde a sua chegada na Babilônia até o dia da sua morte.
Isso pode ser visto no capítulo 6.4: “Então, os presidentes e os sátrapas procuravam ocasião para acusar a Daniel a respeito do reino; mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa”. Qual era o segredo de Daniel? Como ele conseguia vencer todas as tentações que eram colocadas diante dele constantemente? O que ele fazia para conseguir ser uma pessoa tão sábia, prudente e sempre se manter em destaque dentro do reino? Isso é muito simples. Daniel era um homem de oração e temente a Deus. Ele mantinha uma verdadeira, constante e sincera intimidade com Deus.
A sua biografia nos mostra que ele tinha um espírito excelente, se destacou em sabedoria mais do que qualquer outro, se tornou o segundo homem no reinado de Dario, tornando-se próspero em todos os reinados pelos quais teve que passar. Tudo isso Daniel conseguiu porque ousou viver na presença de Deus de forma íntegra.
Daniel ousou ser firme! Stuart Olyott comenta: “Esteve rodeado pelo mal, na juventude, na maturidade e na velhice. Quase não há tentação conhecida que ele não tenha enfrentado. Entretanto, as Escrituras não registram uma única mancha em seu caráter! Propôs em seu coração que agradaria a Deus e nunca apartou-se deste propósito. É possível, sim, vivermos para Deus em um mundo hostil. A verdadeira santidade pode desenvolver-se e florescer diante de condições não ideais”.
O que temos que fazer para conseguir o mesmo sucesso de Daniel é firmeza de propósito em nosso relacionamento com Deus, por isso haja o que houver, custe o que custar, jamais se afaste de Deus, jamais se distancie de suas asas protetoras, nunca deixe de servi-lo. Jamais negocie os seus valores ou abra mão de seus princípios. “Ouse ser firme!”.