Os povos circunvizinhos do Oceano Índico foram submetidos, no mês de dezembro último, às forças destruidoras do “tsunami”. Verdadeira tribulação, isto é, forças que vêm de fora destruindo tudo que está dentro; cidades, comunidades, famílias e famílias foram desestruturadas ou destruídas nas sombras da morte.
Nos dias seguintes àquela destruição precisaram buscar forças solidárias excepcionais, para reconstruir a partir do que sobrou. A mobilização mundial para arrecadar alimentos, remédios, roupas, etc, mostrou, com evidência, que a força maior para reconstruir é o amor. Isso é mais que um sentimento, é decisão.
Entramos no mês de maio, tido no calendário cristão como o “mês do lar”. Esse período é tempo favorável para refletir sobre a família, mormente neste tempo pós-moderno, quando o desconstrucionismo de conceitos e padrões tem atingido o casamento como um “tsunami”. Por isso, a família está abalada nos seus fundamentos e a sociedade em crise na sua estrutura. Como reencontrar o seu equilíbrio?
Se fosse um relógio danificado seria fácil levá-lo ao relojoeiro, mas em se tratando de vidas humanas neste jogo desconcertante, precisa-se mais do que ensaios e erros. Precisa-se buscar o favor do seu criador.
Dentre os ingredientes necessários à reconstrução da família está o amor como a mais sublime de todas as virtudes a serem consideradas. Paulo apresenta com todo vigor a sublimidade do amor em I Coríntios 13. 4 – 8. Entretanto, quando defendemos a sublimidade do amor na reconstrução da família, devemos entendê-lo como manifestação de ações concretas; sublimidade no corpo, na voz, na mesa da refeição, na agenda diária, na amizade entre pais e filhos, entre homem e mulher. É nesta relação que se deve experimentar a decisão do amor paciente, tolerante, benigno, confiante, simples e que se conduz por interesses socializados. O cultivo desse amor desenvolve uma casa sob alicerce de valores duradouros. Sem amor é como construir sobre a areia, que se prova quando surge o primeiro vendaval, impondo os desencontros e acentuando os individualismos, para destruir o sonho do “felizes para sempre”, tão desejado no dia do casamento pelos amigos. Kofi Annan, secretário-geral das Nações Unidas, em visita à Indonésia, admirou de “as pessoas começar a recolher o que sobrou do maremoto e iniciar a reconstrução de sua vida” (Veja, 12.01.05, p. 58). Isso é desafio ao espírito de quem deseja ter família bem sucedida.
No entendimento do salmista Davi, “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam...” (Salmos 127. 1). Para ele o eterno deve invadir o temporal para que a busca do ideal se torne real cada dia. Se Deus está presente, a vida se concretiza. Se não ama o cônjuge, o outro, o filho, favorece a morte dos bons sentimentos, da cordialidade, do respeito e do acato. Faz morrer o ideal de família.
O amor filial deve ser um caminho de descoberta de novas alegrias e o amor conjugal precisa ter cumplicidade na construção do lar, a fim de ser um banquete de almas, uma celebração de constante superação do individualismo.
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