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A Fórmula da Boa Conversação - Nº 136 - Julho 2005

“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”. Efésios 4.29

      

O poder falar, conversar, se expressar através das palavras é uma das grandes bênçãos que Deus concedeu unicamente aos seres humanos. John Stott afirma: “A fala é uma maravilhosa dádiva de Deus. É uma das capacidades humanas que refletem a nossa semelhança com o Criador. Nosso Deus, pois, fala, e como ele, nós também falamos. A fala distingue-nos da criação animal. As vacas podem mugir, os cachorros latem, os asnos zurram, os porcos grunhem, os cordeiros balem, os leões rugem, os macacos guincham e os pássaros cantam, mas somente os seres humanos sabem falar”. Eis aí uma grande razão para que as palavras sejam usadas da melhor forma possível.

       

Paulo, no texto supra citado, ensina como a conversação deve se proceder. Ele lista alguns princípios que devem nortear uma conversação saudável, útil e construtiva, pois a linguagem pode ser tanto uma ferramenta para construir como para destruir; depende apenas da maneira como é usada. Vejamos esses princípios que foram deixados por Paulo. 

        

Nunca use as palavras com o fim de causar mal estar nas pessoas. Esse é o primeiro princípio que Paulo ensina. Quando ele afirma: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe”. A expressão torpe, segundo Champlin, significa: “Podre, decadente, usada para indicar peixe, carne ou vida vegetal estragados, figuradamente, mau, corrupto, imoral, dando a idéia de torpeza”. Todos sabemos que peixe podre ou qualquer outra coisa estragada cheira muito ruim e cheiro ruim, apodrecido, fétido tem o poder de produzir mal estar nas pessoas, pois ninguém consegue ficar tranqüilo em um ambiente mal cheiroso, da mesma forma uma palavra dita com a intenção de ferir ou de machucar, pode ser tão nociva e prejudicial ou até pior.

        

Só use as palavras com o propósito de edificar. Paulo é muito enfático ao afirmar: “E sim unicamente a que for boa para edificação”. Noutro texto ele usa outras expressões para ensinar a mesma coisa: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um”.

        

Paulo estava ensinando que a conversação não pode ser uma fossa podre, muito menos uma arma de implosão, mas, sim, um instrumento de edificação. Edificar significa levantar, erguer. As pessoas precisam ser edificadas intelectualmente, moralmente, emocionalmente e, acima de tudo, espiritualmente. Somente palavras temperadas com sal, palavras sábias e cheias de amor e de sabedoria podem fazer isso.

        

Só use as palavras se for necessário. Paulo afirma: “Conforme a necessidade”. Isso significa que a conversação tem que ter um propósito e, nesse caso, tem que ser um propósito bom, útil e construtivo e, nunca destrutivo ou malévolo. A linguagem não pode ser usada de forma fútil, tola, inútil. Não se pode falar por falar ou ficar jogando conversa fora. O sábio Salomão afirma: “Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina”. Por isso as palavras devem ser usadas com sabedoria e conforme a necessidade do ouvinte, com o propósito de construir e nunca de destruir.

        

Nos evangelhos é notável como Jesus Cristo era econômico em suas palavras, porém sempre que falava, o fazia com propriedade. Nunca desperdiçou suas palavras com discursos infundados ou tolos. Paulo é duro contra esse uso equivocado das palavras ao afirmar: “Evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior. Além disso, a linguagem deles corrói como câncer”.
Só use as palavras com graça. Isso não significa que a conversação deva ser feita com risadas, feito um palhaço. A expressão graça aqui significa que a conversação deve levar o outro a sentir o grande amor de Deus para com ela. Paulo afirma: “Transmita graça aos que ouvem”. 

        

O conteúdo da conversação tem que estar carregado da verdade do evangelho. Mesmo numa conversa informal ou numa mesa de negociação, o objetivo final deve conduzir à glória de Deus e a divulgação de sua mensagem, de seu amor e misericórdia para com os seres humanos. As palavras devem sempre ser usadas com um propósito abençoador, construtivo e edificante. 

        

Com isso fica claro que a linguagem do verdadeiro cristão não deve ser usada como meio de falsas bajulações e de elogios mentirosos; também não pode ser usada para amaldiçoar ou maldizer a si mesmo, nem ao seu próximo, muito menos a Deus.

        

Concluímos com a máxima de Jesus Cristo que ensinou seus discípulos a serem autênticos em tudo, principalmente no uso de suas palavras, quando disse: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”.

Carlos Henrique
Capelão Institucional