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Independência ou Morte - Nº 126 - Setembro 2004

Setembro é o mês em que comemoramos a independência do Brasil. Isso começou no dia sete de setembro de 1822. D. Pedro I voltava de Santos para São Paulo, quando foi interrompido por um mensageiro a mando de Dona Leopoldina com seu ministro e conselheiro, José Bonifácio de Andrada e Silva, com mensagens de Portugal declarando nula a Assembléia Constituinte e obrigando D. Pedro I a voltar imediatamente para a Metrópole, sob pena de perder seus direitos de herdeiro do trono. Ao ler os documentos, arrancou do chapéu o tope português e bradou exaltado: “Laços fora, soldados! As Cortes Portuguesas querem mesmo escravizar o Brasil. Cumpre declarar já a sua independência. E levantando a espada, continuou: – Independência ou morte!”. 
      

Com esse brado D. Pedro I deu início à Independência do Brasil. Porém, muito maior, mais impressionante e com significados muito mais sublimes, foi o brado de Cristo na cruz, quando disse: Tetelestai = “Está consumado!”. Essa palavra grega usada por Jesus era comum nas transações comerciais e significa: “Está pago; está feito; está cumprido; a dívida está quitada”. Logo, já não resta mais nada a ser feito por nós mortais e pecadores. Tudo o que devia ser feito para espiar os nossos pecados e garantir acesso a Deus, foi realizado por Jesus Cristo na cruz. Ele foi o substituto perfeito e aceito pelo mais severo e justo juiz do universo. Ele foi julgado e achado inocente. 
      

Augusto Cury comenta: “Quando o vinagre queimou sua boca e ele rangeu os dentes de dor, sabia que já estava nos segundos finais do seu martírio. Sabia que completara o leque indescritível de suas dores. Tinha plena certeza de que passara no tribunal do mais importante juiz de todo o universo. Enquanto sua boca ardia, um alívio se produzia em sua alma. Então, inesperadamente, bradou um grito de vitória: “Está consumado!” Tinha vencido a maior maratona de todos os tempos. Já era hora de descansar”. Estas palavras revelam de forma muito clara que Jesus sempre esteve no comando da situação. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Ele se entregou voluntariamente para morrer. Estava cumprindo cada palavra profética a seu respeito. Porém, em momento algum, ele perdeu as rédeas da sua história. Tinha todo o poder à sua disposição. Poderia driblar aquela situação da forma que quisesse. Poderia ter saído ileso. Tinha condições de clamar a seu Pai e pedir a sua libertação. 
      

Porém, ele conhecia o propósito da sua vida. Sabia por que estava aqui na terra. Mesmo antes de ser levado a julgamento, já havia prevenido os seus discípulos sobre a maneira como deveria morrer. Jesus estava no comando, quando todos achavam que ele estava derrotado. Todos esperavam que Elias viesse salvá-lo e esperavam que desse o seu último brado pedindo misericórdia. Ele deixa todos atônitos. Ajeita-se novamente na cruz, enche os seus pulmões e clama para todo o universo ouvir: “Está consumado!”. 
      

Nem mesmo Hollywood, com todos os seus recursos tecnológicos, sonharia com um final tão brilhante como aquele. E o melhor de tudo isso é que esse não é o fim, sendo apenas um interlúdio do grande poslúdio que aconteceria na manhã do primeiro dia da semana, quando o Cristo ressuscitaria. 
      

Quando D. Pedro I deu o seu grito de “Independência ou Morte”, ele estava declarando a liberdade do Brasil do jugo Português, porém, quando Cristo bradou da cruz: “Está Consumado!”, ele estava libertando o homem da escravidão do pecado e possibilitando o seu retorno a Deus. O primeiro, livra do jugo político de uma outra nação, o segundo, liberta da tirania do pecado. No primeiro, podemos afirmar com orgulho que agora somos brasileiros e temos o nosso próprio governo; no segundo, autoridade plena para afirmar que somos filhos de Deus, fazemos parte do seu reino, temos garantia de vida eterna, fomos transportados do reino das trevas para reino da luz, visto que estávamos mortos, mas agora vivemos, estávamos perdidos e fomos achados. No primeiro D. Pedro I gritou: “Independência ou Morte!”, no segundo Cristo bradou: “Independência através da minha morte!”.



Rev. Carlos A. Henrique

Capelão Institucional