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Breves Considerações Sobre a Reforma Protestante - Nº 127 - Outubro 2004

(31/10/1517)

      

Sem sombra de dúvida o dia 31 de outubro de 1517 reveste-se de enorme significado para o Cristianismo em toda a sua histórica trajetória. Para alguns, o movimento reformista do século XVI adquiriu contornos de revolução, tendo como conseqüência a separação de uma grande parte da Europa Setentrional do domínio da igreja oficial da época. Para outros, não chegou a tanto. Mas, ninguém duvida que o movimento religioso iniciado na Alemanha tenha efetuado uma profunda alteração religiosa com desdobramentos econômicos, políticos e sociais em todo o mundo ocidental.
      

Convencionou-se para o estudo da história, que os luteranos da Alemanha ao protestarem contra a decisão da dieta de Spira (convocada pelo imperador Carlos V, em 1529, com tolerância ao luteranismo, mas impedindo a sua propagação), fossem chamados de protestantes. 
      

Luteranos eram os cristãos que resolveram seguir as premissas defendidas por Martinho Lutero, famoso reformador alemão, oriundo da classe média da época e que, em obediência à vocação, foi ordenado sacerdote para depois se tornar doutor em Ciências e Filosofia. Como monge agostiniano foi nomeado professor na Universidade de Wittenberg, onde mais tarde se tornaria grande teólogo. Apegado ao estudo bíblico diário sistematizou a doutrina da justificação pela fé elaborada a partir do livro de Romanos, segundo a qual, a justiça do justo não é obra sua, mas dom de Deus.
      

Esta maneira de Lutero enxergar a fé cristã tornou-se determinante para a não aceitação do comércio de indulgências (autorizado pelo papa Leão X), o que contrariou interesses econômicos e políticos de algumas famílias desejosas pela hegemonia da Alemanha no império. Na Alemanha, como costume da época, afixou na porta da Igreja de Wittenberg as suas 95 teses, que versavam desde a liturgia da igreja até princípios fundamentais da teologia escolástica. A publicação de suas teses foi uma das motivações para a excomunhão papal que aconteceu três anos depois. O monge ao receber a bula queimou-a em praça pública dando início ao movimento religioso de maior amplitude em todo o mundo ocidental.
      

Uma vez excomungado Martinho Lutero contribuiu com a célebre confissão de Augsburg (1530), que viria ser a base da futura igreja evangélica reformada sintetizada aqui nestes 4 pontos: SOLA GRATIA - A justificação acontece apenas pela graça de Deus. Dádiva não merecida, contudo, Deus pelo Espírito Santo nos capacita a recebê-la. SOLO CHRISTOS – Absolutamente tudo e todas as coisas convergem para o Cristo que se fez carne e habitou entre nós, caminho para o Pai e que possui o único nome que pode nos salvar. SOLA FIDE – Capacitação do Espírito Santo para responder afirmativamente a Deus. Ao ser humano que confia em Jesus Cristo, a sua fé lhe é atribuída como justiça dando-lhe a paz. SOLA SCRIPTURA – A Bíblia é a regra de fé e prática para livre exame dos cristãos chamados para viverem em liberdade.
      

O espírito liberal (principio protestante), somado ao vigor da incipiente fé evangélica, fez com que o cristianismo sofresse em outros países “reformas dentro da Reforma” produzindo novos idealizadores do movimento, como: João Calvino - O sistematizador da teologia protestante e criador da Igreja Reformada de Genebra (1509-1564), John Knox, Teodoro Beza etc. 
      

A análise deste fenômeno de intenção subjetiva (espiritual), deve levar-nos à humilde interpretação de que a Reforma Protestante determinou-se historicamente como todos os outros movimentos humanos na construção do Reino de Deus. A relevância da exposição deste movimento religioso não está na simples reprodução dos fatos passados em nossos dias, mas na interpretação contextualizada desses eventos para a afirmação constante de um Deus generoso e que se tornou histórico em Cristo Jesus.

Rev. Carlos A. Henrique
Capelão Institucional