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Solidariedade - Nº 128 - Novembro 2004

Mais importante que uma ação social é ser solidário na plenitude do espírito voluntário. A mobilização do Mackenzie para intervenção social no último dia 16 de outubro provocou em seus funcionários, alunos e professores uma reação à cultura da insensibilidade apregoada pela sutileza da era “pósmoderna”, por conta do individualismo egoísta. 
      

Em cada ação solidária praticada, podemos sentir o prazer do seu retorno. Disse uma voluntária no Dia do Mackenzie Voluntário: “... tanta gente bonita se doando pelo Dia Mackenzie Voluntário, com garra e alegria para ajudar uma instituição. Fazer brigadeiro, ver a alegria das crianças e adultos foi MARAVILHOSO. Agradeço a Deus a iniciativa do evento...”.

Esta expressão da Suely pode ser generalizada para os cerca de quatro mil voluntários traduzindo o sentimento de satisfação e gratidão ao receber o sorriso de uma criança servida ou a alegria no rosto daqueles adultos. Ações como essas nos tocam a consciência para dizermos NÃO à pobreza, à violência, à marginalização. Declaremos, pois, o respeito à vida com as nossas atitudes solidárias, pois, nesse campo nossas armas não são a indiferença nem a insensibilidade, mas o amor.

 

É oportuno recordar a história contada por Jesus sobre “O Bom Samaritano” (Lucas 10.25-37) como resposta a certo homem que desejava a vida eterna, mas desconhecia quem era o seu próximo. Alguns assaltantes cercam um homem com a intenção de lhe furtar o que ele tem, espancam-no, deixando-o à margem da estrada. O fato se dá entre Jerusalém e Jericó. Os personagens mostraram, cada um, o seu estilo de vida. O sacerdote e o levita, mesmo com o conhecimento comprometido de suas teologias, passaram de largo sem se envolverem com a vitima, revelaram sua insensibilidade para com o homem violentado, como que dizendo: O que é seu é seu e o que é meu, é meu. Insensíveis, não se envolveram, nem tomaram conhecimento. 
      

Outro personagem representado pelos assaltantes brutalizados e sem nenhum temor do autor da vida, age como que dizendo: O que é meu é meu e o que é seu, é seu, cuidado! Pode ser meu. Desejam o mundo pela violência, têm os seus valores corrompidos e suas mentes cauterizadas pela maldade. Teria sido por isso que Benjamim Franklin comparou o homem a um animal que faz ferramentas para a violência? Nisto Jesus foi enfático ao dizer que é do coração do homem que saem os maus desígnios. 
      

O terceiro personagem da história foi o Samaritano, cujo estilo de vida pode se traduzir assim: O que é seu é seu e o que é meu, é meu, mas pode ser seu sempre que necessário. Esse Samaritano não apenas fazia algumas ações de vez em quando. Ele era solidário. Isto era para ele um estilo de vida. Sua compaixão fez interromper a sua caminhada e mudar seu programa imediato, agindo para transformar a história daquele moribundo colhido na beira da estrada. J. Stott declara que o cristão deve ser sensível ao ouvir a Palavra para discernir as riquezas de Cristo e ouvir o mundo (ao seu redor) a fim de discernir suas necessidades. 
      

O outro personagem da história é a própria vitima. Teria ele um estilo de vida? Era um homem comum criado à imagem e semelhança de Deus, mas que, por circunstância adversa se tornara vitima da violência, como ocorre com tantos outros em nossos dias. É para gente como esse homem que os voluntários do Mackenzie olharam no dia dezesseis. Olhemos para o final da história de Jesus. Ele perguntou ao intérprete da lei: qual destes te parece ter sido o próximo? Ao que respondeu: O que usou de misericórdia. 
      

Cultivemos, portanto, o espírito de compaixão e de gratidão que nos moveu ao Dia do Mackenzie Voluntário. Façamos dessa maneira de ser o nosso estilo de vida através do exercício da compaixão para com o próximo em suas necessidades.

Rev. Eldman F. Eler
Capelão Universitário