As mais lindas mãos são as que traduzem as marcas do serviço e do sacrifício construtivo.
Sabe-se que elas não agem por si mesmas, mas são o reflexo de vontades e intenções pessoais, quer construindo ou não. Há mãos que restauram e outras que constroem. Há também aquelas que são oferecidas para enganar como as de Jacó, para destruir como as de Caim, as do soldado de guerra ou do terrorista que é treinado desde sua adolescência para empunhar a arma da destruição, oferecendo, às vezes, não só suas mãos, mas o seu corpo inteiro.
Deve se notar que nas diferentes culturas, elas assumem papel simbólico na comunicação. Assim, elas podem estreitar relações, diminuir distâncias que nos separam do outro, ou mostrar sensibilidade quando as estendemos com boa intencionalidade, para o estranho ou para o necessitado. Se estendidas na posição vertical espalmadas, traduz rejeição ou distanciamento pretendido. Se cruzadas e encurvadas traduzem respeito e recato como o fazem os orientais. Elas comunicam nossas intenções.
Bom mesmo é quando nossas mãos são oferecidas para executar o trabalho quotidiano com carinho e dedicação, com o fim de transparecer a responsabilida de servos. Elas podem executar coisas bonitas e decentes. Não negligencia, nem engana. São essas mãos que acumulam calos ou cicatrizes perceptíveis pelo toque de outras mãos ou apenas reconhecíveis pela convivência. São mãos honestas e admiráveis. Se desejamos fugir de tarefas difíceis, dizemos ao nosso chefe imediato : “Essa situação deixo nas suas mãos”.
Todavia, é na comunicação relacional nossa com o homem ou com o nosso Deus, que as mãos traduzem significados mais profundos.
Nos registros sagrados encontramos a expressão “nas mãos de” para traduzir autoridade ou domínio sobre alguém ou algo (Gênesis 9.2; 16. 6; 39.6). Pelas mãos de servos fiéis, Deus traduziu para o seu povo o seu poder e sua soberania. (I Cr. 29.12). Por isso, prazer maior nos advém desde quando conhecemos e nos entregamos nas mãos de Deus, como disse o poeta: “Se as águas do mar da vida quizerem lhe sufocar, segura nas mãos de Deus e vai”. As suas mãos jamais estiveram encolhidas para negar ao ser humano o seu favor, conforme declarou o profeta Isaias. (Isaías 59. 1). Porque a sua misericórdia é constante e seu amor é infinito.
Deus se agrada quando estendemos nossas mãos para louvar, agradecer ou suplicar. Neste gesto de acolhimento divino as mãos de Jesus foram estendidas sobre um cego para curá-lo, sobre as crianças para acolhê-las e confirmar-lhes o reino do céu, foram estendidas e encravadas na cruz do calvário para acolher e perdoar os pecados daqueles que nele crêem. Isto lhe deu toda autoridade para dizer aos seus seguidores: “Vede as minhas mãos”. Aprendamos com ele para mostrarmos nossas mãos de serviço, acolhimento e solidariedade.
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