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Que Brilho é Esse? - Nº 111 - Junho 2003

“O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos. Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja?” (Provérbios 14.30; 27.4)

A leitura desta advertência do sábio Salomão me fez lembrar da estória de uma cobra que começou a perseguir um vaga-lume que só vivia para brilhar. Ele fugia rápido com medo da feroz predadora e a cobra nem pensava em desistir. Fugiu um dia e ela não desistiu, dois dias e nada. No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à cobra: Posso fazer três perguntas? Respondeu ela: Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou lhe devorar, pode perguntar. - Pertenço à sua cadeia alimentar? - Não. - Fiz-lhe alguma coisa? - Não. - Então, por que quer me devorar? - Porque não suporto ver você brilhar! 


Infelizmente muitas pessoas vivem como cobras, rastejando tortuosamente de um lado para o outro em busca de alguém para destruir. Para Francis Bacon “aquele que busca cumprir seus deveres não acha tempo para a inveja. Esta é uma paixão de vagabundo, vive a passear nas ruas e não gosta de ficar em casa”. De fato a luz do sucesso incomoda drasticamente o invejoso.

Ele não suporta ver alguém se dar bem na vida, pois, sempre acha que o culpado pelo seu fracasso é o sucesso do outro e nunca ele mesmo. Logo, tal pessoa se entristece e pode chegar a desejar o mal total à pessoa invejada, como afirmou Tomas de Aquino: “...o termo final da inveja pode ser considerado de dois modos: um primeiro diz respeito à pessoa invejada e, nesse caso, o impulso da inveja termina, por vezes, em ódio, isto é, o invejoso não só se entristece pela superioridade do outro, mas, mais do que isso, quer seu mal sob todos os aspectos”.


Segundo Billy Graham “A inveja não é arma defensiva – é instrumento ofensivo, usado na tocaia espiritual. Fere pelo prazer de ferir e mata pelo prazer de matar”. Contudo, a inveja não atenta apenas contra a vida do outro, mas, antes de tudo, contra a própria vida, pois ela é como o câncer que vai destruindo aos poucos. Ela destrói tudo o que há de bom dentro do ser humano, aniquila os valores éticos, morais e religiosos. Ela destrói amizades, separa famílias, leva casais ao divórcio.

A inveja mata! Billy Graham afirma: “Na química do espírito, nenhum pecado é tão devastador, nenhum pecado pode mais rapidamente pôr termo à doce amizade que deve existir entre o homem e Deus”. A inveja tira tudo o que se pode ter de bom e devolve somente o fel amargo de um coração frio e egoísta, já amortecido pelo seu veneno letal. A inveja é egoísmo na sua expressão mais pura. É ausência total de amor, pois o invejoso jamais consegue ficar feliz com as conquistas alheias.

O que ama sente-se feliz com o sucesso do outro e alegra-se com isso. O invejoso se entristece e se enche de ódio. Santo Agostinho afirmava: “Quem inveja a quem canta bem não ama ao que canta bem”. Isto é bem natural, visto que a inveja é totalmente oposta ao amor, logo, o único antídoto contra a inveja é o amor verdadeiro, pois num coração que ama não há espaço para a inveja fincar suas raízes e produzir seus frutos amargos e mortíferos. Que na jornada da nossa existência possamos ser como o vaga-lume, ainda que isso exija de nós grande sacrifício, pois é melhor sofrer por uma causa justa, do que beneficiar-se com um sentimento tão mesquinho e vil como a inveja.

Rev. Carlos Alberto Henrique
Capelão do Ensino Básico