Na reflexão deste mês de fevereiro convido você para pensarmos à luz do texto sagrado, sobre a importância da formação de valores éticos e espirituais, como elementos intrínsecos da educação para uma vida com liberdade. Quero referir especificamente ao problema das drogas lícitas (álcool, cigarro) e ilícitas (maconha, cocaína, etc, etc.), que já se tornaram problema nacional e internacional.
O uso sistemático ou a dependência de qualquer dessas drogas aprisiona o usuário e destrói a sua liberdade. É o que pareceu estar acontecendo com o rei Davi quando escreveu o salmo 31. Observe como Davi descreve sua crise: “Os meus olhos estão cansados de tanto chorar; estou esgotado de corpo e alma. A tristeza acabou com as minhas forças; as lágrimas encurtam a minha vida. Estou fraco por causa das minhas aflições; até os meus ossos estão se gastando(TLH). Tornei-me opróbrio para todos os meus adversários, espanto para os meus vizinhos e horror para os meus conhecidos; os que me vêem na rua fogem de mim. Estou esquecido no coração deles, como morto; sou como vaso quebrado.”.(RAB). (Salmo 31. 09b-12).
Parece estar reproduzindo a situação do drogadito, aprisionado por algum tipo de droga. Provavelmente você não está em situação semelhante, não aprova e não tem nada a ver com drogas. Mas, quiçá, seu amigo (a), vizinho (a) ou mesmo alguém mais próximo carece de ajuda e orientação para sair de crise semelhante.
Os governos têm procurado dar alguma atenção ao assunto, é bom que o faça. Como cristãos podemos questionar os seus métodos, especialmente porque desconsideram os valores espirituais. Na realidade, essa deve ser tarefa dos segmentos religiosos. É compromisso da Igreja Cristã. Mesmo o materialista filosófico que não acredita na continuidade da vida, não pode deixar de acreditar no valor da moral, não pode negar a ética que produz equilíbrio na sociedade. Isto me ajuda acreditar que a liberdade que sacia essa nossa sede, deve fazer-nos voltar ao seu Criador, como foi a experiência de Davi: “... confio em ti, Senhor... livra-me...”.
A liberdade que nos predispõe para viver e amar, não pode resultar de nossas vontades e sentimentos. “Alguns, sob pretexto da liberdade deixam de lado toda obediência a Deus e se entregam à licenciosidade desenfreada”. (J. Calvino). O ímpeto da insaciedade humana nem sempre reconhece limites, permitindo barganhar a liberdade pela liberação inconseqüente. O problema das drogas está relacionado com a necessidade de resgate de valores que devem levar ao equilíbrio e sabedoria, o que na antiga Grécia era denominado “sophrosyne”, ou seja; “precaução e inteligência na condução da própria vida” (D. Goleman).
Quando Jesus declarou que ele veio oferecer “vida em abundância”, desejou que o homem tenha prazeres e emoções, que sejam construtivos de uma vida que vale a pena ser vivida conforme a vontade do seu Criador. Este é o caminho que leva à fonte da verdadeira liberdade. Essa sede tem cura. |