No Natal comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Sendo ele Deus, o Natal trata, na verdade, do fato extraordinário de Deus fazer-se homem. Chamamos este milagre de encarnação. Está equivocado o blasfemo profeta da apostasia ao declarar que ser homem deve ser melhor do que ser Deus, já que Deus quis virar homem. Tal ironia, partilhada pelos que o consideram seu mestre, se autodestroe, pois se apóia em ateísmo implícito. A encarnação revela o amor de um Deus infinito, pessoal, santo e amoroso para com suas criaturas caídas.
No texto mencionado no cabeçalho desta mensagem o apóstolo João anuncia Jesus Cristo como o Verbo, a Palavra de Deus, que existia desde o princípio de todas as coisas, sendo um com o Pai embora distinto dele. Ele criou o mundo e o sustenta. É a luz e a vida dos homens, tendo ele mesmo se tornado um deles: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.
A idéia da encarnação soava incrível para o mundo que primeiro ouviu o conceito. Para os gregos da época de João era inconcebível que a divindade se envolvesse com o concreto, pois implicava numa violação do dualismo filosófico entre espírito e matéria. O conceito de Verbo já era conhecido, mas como uma idéia, uma força... não como uma Pessoa, como João declara. Agora, João, um judeu, declara que o próprio Deus havia assumido uma natureza humana, tendo-se feito carne.
Através da história o conceito de que Deus se havia tornado homem provocou diversas reações. Grupos cristãos primitivos procuraram amenizar a idéia, como os gnósticos e docetistas, e de formas diferentes acabaram por minimizar ou a humanidade ou a divindade de Jesus Cristo. No liberalismo teológico nascido na esteira do Iluminismo, a encarnação foi interpretada como mito criado pelos discípulos bobos de Jesus, pois acabaram sendo perseguidos e martirizados por lendas que eles mesmos criaram. Hoje, despido de sua divindade pelos que (ainda) estão em busca do “verdadeiro” Jesus histórico, o nascimento de Jesus tem sido explicado inclusive como fruto de relação adulterina de Maria com soldado romano.
A encarnação, entretanto, continua sendo crida e afirmada pelos cristãos desde cedo, alinhados com o ensinamento da Bíblia. Desde o Concílio de Trento afirmam o mistério. É a encarnação a razão do Natal. Na verdade, é a razão do Cristianismo. Se Jesus Cristo não é Deus feito homem, caem os pontos centrais do ensinamento cristão. Ao contrário das demais religiões, o Cristianismo afirma que seu fundador não foi apenas um homem iluminado, inspirado, bom e sábio - mas o próprio Deus encarnado. Foi Deus quem nos veio salvar na pessoa de Jesus de Nazaré. Este é o verdadeiro sentido do Natal.
Todo homem tem um problema no passado, no presente e no futuro. No passado, há o problema de seu pecado e da sua culpa. No presente, enfrenta seu ódio. E no futuro, a morte o aguarda. A solução para cada problema deste é Jesus Cristo, Deus-homem, encarnado para nossa salvação da culpa, do ódio e da morte. Graças a Deus pelo Natal!