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Hoje me produz a recordar o meu esquecido passado.
A mente ficou tomada de memórias, meu coração ficou apertado.
Olhei para aqueles anos quando era ainda um menino da roça.
Quando vivíamos felizes numa pequena e simples palhoça.

 

Pequenos pés descalços sulcando aquele chão vermelho barrento.
Pezinhos surrados e feridos pelo gelado vento.
Um shortinho feito de pequenos e velhos retalhos.
Mostram que a caminhada não pode ser feita por perigosos atalhos.

 

Muito cedo já caminhávamos descalços sobre as finas geadas.
Os pés ficavam gelados naquelas longas e frias madrugadas.
Não tínhamos sapatos para calçar, pois era grande e cruel a pobreza.
Foram anos de muita dor, sofrimento e incerteza.

 

Aos domingos os problemas se dissipavam como uma nuvem no céu.
A vida ganhava colorido especial e na boca um gosto doce de mel.
Brincávamos felizes desafiando a própria lei da gravidade.
No peito uma certeza: a infância é a melhor idade.

 

Hoje recordo dos dias que marcaram o meu passado distante.
Foram dias gloriosos que se perderam num rápido instante.
A vida passou tão depressa como um rio viajando em seu leito.
Ficou apenas a lembrança queimando no profundo do meu peito.

 

Como foram bons aqueles anos daquele menino mateiro.
Correndo atrás do gado como se fosse um vaqueiro.
Lembranças de um garoto esperto e de rosto trigueiro.
Que mostram como foi boa aquela vida de roceiro.

 

Carlos Henrique