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Mackenzie na Imprensa 2009
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Tijolo ecológico com solo-cimento
Fonte: O Estado de S. Paulo
Data: 12/6/2009
 
A fabricação de tijolos de solo cimento, tecnologia disponível no Brasil desde os anos 60, está sendo proposta por um industrial de São Pedro, no interior de São Paulo, como o negócio do futuro,com apoio do Sebrae. “Fabrico 250 mil tijolos por mês. Se pudesse fabricar 500mil, venderia tudo. Ele vai substituir o tijolo de cerâmica rapidamente”, prevê o fundador da Tijol-Eco, Roberto Cláudio Pedreira. Segundo a arquiteta Maria Augusta Justi Pisani, professora de pós-graduação da FAU-Mackenzie e da Belas Artes, está realmente havendo uma discussão grande em torno do produto, em virtude do foco na arquitetura sustentável.“

O solo-cimento não vai para o forno, o que significa redução do gasto de energia e de emissões de gases, se comparado ao tijolo comum”, explica. Maria Augusta estuda arquitetura de terra há mais de 30 anos e explica que o desempenho de um tijolo de solo-cimento é similar ao de um tijolo maciço comum.“A diferença é que ele proporciona maior conforto termo acústico e é mais resistente.” Segundo a arquiteta, clientes do interior preocupados com o ambiente escolhem o solo-cimento, porém com assentamento usual. “Existe a possibilidade de usar junta seca, sem argamassa. O tijolo fica encaixado.É seguro, mas as pessoas não confiam.” O fator limitante é a inviabilidade para a construção de prédios com mais de dois andares. “Não recomendo para os grandes centros urbanos, onde os prédios são a edificação dominante.

O mercado seria muito pequeno”, avalia. O custo é pouco maior do que o de cerâmica, segundo Pereira.“ Mas,como dispensa argamassa e reboco, uma parede de solo-cimento fica 50% mais barata”, afirma o empresário. Maria Augusta, no entanto, alerta que essa conta é questionável.“Só fica mais barato se não usar reboco nem argamassa”, ressalta.

FÁBRICAPRONTA
Pereira fabrica e vende tijolo e também, a fábrica. Uma unidade com capacidade para produzir 100 mil tijolos/mês sai por R$ 242 mil. “Com licença ambiental e gestão junto à prefeitura para liberação de terreno incluídos”, acrescenta. Pereira já instalou fábricas em Bauru (SP), Itabira (MG) e Brasília (DF), que usam a marca, apesar de não ser uma franquia. “Damos licença para o uso da marca, sem cobrança de royalties.A única exigência é que mantenham a qualidade do tijolo.”O arquiteto Luís Antonio Pecoriello, especializado em tijolo de solo-cimento pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas( IPT),diz que a fabricação não é simples. Pecoriello instalou e manteve uma fábricadoprodutode1997 até 2001. “Acabei fazendo o mestrado no IPT para solucionar os problemas que encontrei”, diz.

ARGILA
A primeira delas é com a terra. “É preciso analisar a argila disponível, pois ela determina a quantidade de cimento na mistura. Se precisar de mais de 15%, fica inviável”, diz. Além da análise, é preciso avaliar se a retirada não irá criar grandes cicatrizes no ambiente. “Sem cuidado, a vantagem ecológica se perde.” Outro conselho é ter à disposição um laboratório para controle de qualidade. A massa deve ter grande quantidade de areia. Caso seja necessário acrescentar areia, haverá um custo a mais.“O metro cúbico de areia está custando R$ 80, portanto, será um custo importante”, diz. A prensagem é outro ponto crítico. “Tem que ser no ponto, nem mais, nem menos e isso só se aprende na prática”, explica. Por fim, é preciso ter cuidado especial na cura, que dura pelo menos oito dias, e os tijolos devem receber a mesma quantidade de água, para ficar homogêneos.

Pecoriello resolveu os problemas de produção, mas não resistiu às dificuldades de comercialização. “Nosso foco era a classe média e as condições de financiamento para essa população na época eram inviáveis. Se tivéssemos as condições de financiamento atuais, não precisaríamos ter fechado a fábrica”, lamenta.

Teste a qualidade do material
O tijolo de solo-cimento surgiu como alternativa para autoconstrução, pois pode ser moldado no próprio canteiro de obras. A arquiteta especialista em arquitetura de terra Maria Augusta Justi Pisani explica que a máquina necessária – uma prensa – é simples e bem barata, e há grande oferta no mercado, com acionamento manual ou elétrico. “É do tamanho de uma máquina de costura”, compara. Mesmo assim, a arquiteta conta que existe uma grande rede de fábricas de tijolo de solo-cimento, com unidades concentradas no Centro-Oeste e Nordeste. “Construções com esse tijolo são mais vantajosas fora dos grandes centros, onde ainda existe espaço para edificações térreas”, diz. Os interessados em comprar o tijolo devem procurar as fábricas, pois ele não está no varejo.

Também não existe uma norma específica para arquitetura de terra. “O desempenho depende da qualidade do solo e essas características variam demais, até mesmo na mesma região”, alerta. Maria Augusta diz que existem testes rápidos,que podem ser feitos pelo consumidor na hora da compra. “O primeiro é o de resistência. O tijolo tem arestas. Se elas se desfizerem com o manuseio, é indício de baixa resistência”, ensina. A aparência também indica a qualidade. “Ele deve ter uma cor homogênea. Se houver variações, é sinal de que a massa foi feita com argila de diferentes qualidades e isso prejudicará o desempenho do produto.” A técnica construtiva é simples, embora diferente.“É possível treinar o pedreiro em três dias, para fabricar os tijolos e depois, assentá-los.”
 
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