RATIO ET FIDES NO PENSAMENTO DE SIGMUND FREUD
Elinês Júlio Costa*
RESUMO
Não obstante sua formação judaica, Sigmund Freud, o criador da psicanálise, é conhecido pelo seu ateísmo visceral. Em sua teoria do psiquismo humano, a crença religiosa torna-se um importante tema de estudo, sendo considerada uma ilusão mediante a qual as pessoas buscam alcançar segurança e sentido diante do sentimento de desamparo presente desde a infância. As idéias de Freud a respeito da religião adquirem um tratamento mais sistemático em sua obra O Futuro de uma Ilusão (1927). A fé religiosa seria uma expressão da neurose obsessiva universal, sendo Deus visto como uma projeção da relação dos filhos com a figura paterna. O artigo pondera que, apesar das afirmações de Freud de que as suas idéias não foram influenciadas por pressupostos filosóficos, percebe-se claramente em seus posicionamentos a respeito da religião o impacto do ceticismo iluminista, mais especificamente o pensamento de Ludwig Feuerbach. A autora também argumenta que Freud substitui uma cosmovisão (Weltanschauung) religiosa por outra científica, em que a razão (logos) torna-se uma espécie de deus. Apesar do seu cientificismo, Freud pode dar uma contribuição positiva para o aconselhamento cristão no sentido de mostrar as distorções imaturas muitas vezes presentes na religiosidade das pessoas, quer no seu entendimento de Deus, quer nas suas atitudes a respeito da vida espiritual.
PALAVRAS-CHAVE
Religião; Fé e razão; Ateísmo; Sigmund Freud; Ilusão religiosa; Oskar Pfister; Ludwig Feuerbach.
* A autora graduou-se em Psicologia pela FUMEC (Belo Horizonte, 1996), e obteve o grau de Mestrado em Teologia (concentração em Aconselhamento Cristão), no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (2002). Trabalha como psicóloga clínica em Belo Horizonte, onde freqüenta o Ministério Ensinando de Sião, na Pampulha. Seu e-mail é elinescosta@uol.com.br
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