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Noites



 

Um silêncio estúpido quase sepulcral.
No peito uma dor silenciosa e anormal.
Dos olhos molhados as lágrimas escorrem.
Para nos sulcos do rosto se esconderem.


Noites deveriam ser faróis não densa escuridão.
Deveriam despertar profunda alegria no coração.
Noites despertam lúgubres e frias emoções.
Arrancam das entranhas as mais íntimas frustrações.


O tic-tac silencioso do relógio é como o badalo de um sino pesado.
Explode nos ouvidos e deixa o coração apertado.
O silêncio é tão profundo que se pode ouvir a cidade.
Uma noite de solidão é quase uma eternidade.


Como dói o silêncio sepulcral numa noite de solidão.
As lembranças se avolumam e adoece o coração.
O peito chia apertado carregado de emoção.
Os olhos nada vêem, pois cheio de lágrimas estão.


Noites encharcadas pelo cheiro da primavera.
Que arrancam do peito os desejos da donzela.
Noites estreladas e aquecidas pelo calor do verão.
Em que as emoções mais profundas saltam do coração.


Noites carregadas pelos saborosos frutos do outono.
Que dão ao coração apaixonado um tranqüilo sono.
Noites geladas pelos ventos uivantes do inverno.
Que fazem o tempo parar e parecer eterno.

 

 

                                                                                        Carlos Henrique