A JUSTIÇA ESCATOLÓGICA DE DEUS: LEITURAS DE HC 2.4 EM RM 1.17B PARA UMA COMPREENSÃO DO USO PAULINO DO ANTIGO TESTAMENTO
Marcos Augusto Fernandes de Freitas*
RESUMO
O presente artigo é um estudo bíblico-teológico do uso de Hc 2.4 em Rm 1.17b, e suas aparentes discrepâncias. Sendo o locus classicus da teologia paulina sobre a justificação pela fé, o texto ajuda-nos a ver como Paulo interpretava o Antigo Testamento, lançando luz sobre a discutida relação entre os testamentos. Duas questões norteiam este estudo. Primeira: Estaria Paulo citando o Texto Massorético, a Septuaginta, uma conflação dos dois ou uma versão independente à qual teria tido acesso? Segunda: Estaria o apóstolo adulterando o sentido original de Hc 2.4 para conformá-lo à sua apresentação do evangelho? Após avaliar algumas propostas de solução, este artigo procura mostrar como Paulo cita o Antigo Testamento de forma simples e livre, mas não desordenada. E nesse uso harmônico de citações perceber-se-á na mente do apóstolo uma “teologia bíblica” da justiça de Deus, visão escatológica e consciência de continuidade histórica. Nessa perspectiva, ver-se-á também como o apóstolo coloca-se contra o ensino judaizante sobre justiça e salvação, ao mesmo tempo em que se põe em total harmonia com o ensino do Antigo Testamento sobre esses temas.
PALAVRAS-CHAVE
Justiça; Salvação; Escatologia paulina; Teologia bíblica; Interpretação apostólica; Relação intertestamentária.
* O autor é ministro presbiteriano, bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte e mestrando em Antigo Testamento pelo CPAJ. Atua como pastor auxiliar da Segunda Igreja Presbiteriana de Boa Vista, em Roraima, trabalhando na congregação da cidade de Caracaraí.
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