"Felizes os Famintos e Sedentos por Justiça"


“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5.6).
Creio que nenhum de nós sabe na prática o que significa ter fome e sede, visto que, talvez, nunca tenhamos sentido fome e sede de verdade, o máximo que já sentimos foi “apetite”. O que Jesus estava ensinando sobre a fome e a sede era algo real e bem claro para os seus ouvintes. Eles sabiam o que Jesus queria dizer com isso.
Segundo os estudiosos bíblicos, o significado dos termos “fome e sede” sugere uma necessidade extrema, desesperadora e muito dolorida. A fome e a sede doem. Uma pessoa sedenta, em um deserto, sente os seus músculos repuxarem, sente o seu estomago queimar, perde o senso do perigo diante de uma possibilidade de saciar a sua necessidade premente. É exatamente desse tipo de necessidade extrema que Jesus está falando, só que direcionada à justiça.
Sobre essa busca incansável pela justiça, Martyn Lloyd-Jones afirmou: “A menos que tenhamos fome e sede de justiça, jamais haveremos de obtê-la, nunca haveremos de experimentar aquela plenitude que nos foi prometida”.
Jesus está ensinando que devemos envidar todos os nossos esforços em busca de uma vida reta, íntegra, justa. Ele mostra que da mesma forma que um faminto faz qualquer coisa para ter a sua fome saciada, assim também o cidadão do reino de Deus deveria fazer em relação à justiça.
John MacArthur afirmou: “O versículo para estudo fala de um desejo muito forte, uma intensa busca, uma força apaixonada que existe dentro de nós, uma ambição”. Devemos almejar a justiça mais do que as próprias necessidades físicas que temos.
Sobre essa fome e sede Martyn Lloyd-Jones escreveu: “Ter essa fome e sede de justiça, entretanto, também significa que temos profunda consciência de que precisamos ser libertados, de que precisamos do Salvador, de que percebemos a nossa desesperadora situação e de que temos consciência de que a menos que nos sejam providos um Salvador e a salvação, na verdade estaremos inteiramente destituídos de esperança”.
Buscar a justiça não é apenas ingressar em alguma “ONG” em defesa dos direitos dos mais fracos, dos oprimidos, do consumidor injustiçado ou outra coisa qualquer, mas, antes de tudo, olhar para dentro de nós mesmos e perceber que aos olhos de Deus somos totalmente reprováveis, sem a mínima condição de se auto-aprovar.
O nosso melhor diante de Deus não passa de lixo. Jesus está falando não de uma justiça externa, de uma forma de comportamento, ele está falando a respeito de uma transformação interior, do reconhecimento do nosso pecado e da nossa miséria e da busca da justiça de Cristo. O verdadeiro cidadão do céu é justificado pela justiça que Cristo conquistou na cruz.
Jesus está afirmando que as nossas ações, boas obras, caridades, por melhores que sejam, por mais bem intencionadas, não conseguem nos justificar diante do Senhor. Somente aquele que reconhece a sua total necessidade e clama pela justiça divina, consegue saciar a fome e a sede da sua alma. Ninguém consegue viver sem água e comida, ninguém consegue viver espiritualmente sem a justiça de Cristo.
John MacArthur escreveu: “Mas todos os horrores imagináveis da fome perdem a importância quando comparados ao horror da fome espiritual não satisfeita e da sede espiritual não saciada”. Almeje e busque com todo o ardor saciar essa fome e sede em Deus, pois ele continua convidando: “Vinde a mim e eu vos aliviarei”.
Carlos Henrique
