O 1º RELATÓRIO PASTORAL REFORMADO DA AMÉRICA LATINA: O "JURNAEL" DO REV. JODOCUS A STATTEN
Frans Lenaonard Schalkwijk*
RESUMO
No contexto de luta contra o império mundial espanhol, a Holanda ocupou o nordeste brasileiro, produtor de açucar de 1634 a 1654. Com a invasão veio também a igreja reformada, primeiramente na forma de congregações militares, mas logo em seguida com os colonizadores, funcionários da companhia, mercadores e outros. No total, cerca de 22 igrejas foram plantadas ao longo da costa, de Sergipe ao Maranhão, utilizando muitos pregadores holandeses e também alemães, franceses, ingleses e até mesmo espanhóis. Um deles foi o alemão Jodocus a Statten. Tendo chegado ao Brasil em 16
32, serviu a maior parte do tempo como capelão militar. Quinze anos depois, foi capturado e levado para a Bahia, domicílio do governador português e do bispo católico romano. Ouviu-se falar em Recife que eles o queimariam a fim de que nunca mais pregasse. A Holanda tentou em vão trocá-lo por prisioneiros portugueses. Em 1651, foi transportado para Portugal para nunca mais se ouvir falar dele novamente. A viúva de Stetten recebeu sustento financeiro para a família até sua morte em 1665. Diversas cartas de Stetten sobreviveram nos Arquivos Nacionais da Holanda em Haia. Um desses documentos é um interessante relatório de 1636 sobre o seu ministério na Paraíba: reuniões do conselho, batismos, cultos, casamentos e diaconia. É, na verdade, o primeiro relatório pastoral reformado da América Latina, certamente escrito como defesa durante uma ocasião em que Stetten estava suspenso temporariamente do ministério.
PALAVRA-CHAVE
Brasil holândes, igreja reformada, Paraíba, Jodocus Stetten, liberdade religiosa, diaconia.
*O autor é ministro da Igreja Reformada Holandesa, com mestrado no Calvin Theological Seminary, em Grand Rapids, EUA, e doutorado em história na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. É professor visitante do CPAJ.
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