O IMPACTO DA FILOSOFIA DE KANT SOBRE A DOUTRINA DA REVELAÇÃO EM KARL BARTH
Heber Carlos de Campos*
RESUMO
O autor argumenta que Barth, apesar de ter deixado o antigo liberalismo em favor da neo-ortodoxia, não abandonou todas as influências anteriores, principalmente aquelas vindas de Immanuel Kant. Embora Barth cresse na revelação divina, sob a influência do subjetivismo racionalista kantiano ele colocou Deus em uma esfera metafísica na qual ele não revela coisas sobre si mesmo, nem se revela em palavras, mas só pessoalmente. Barth aceita a revelação especial, mas nega a revelação geral, histórica e proposicional. Deus só se revela diretamente, em eventos e em presença, tanto no passado como hoje, mas não em palavras escritas. O autor conclui a sua análise fazendo uma crítica do conceito barthiano de revelação. Segundo ele, a negação da revelação histórica questiona a própria realidade da encarnação do Verbo. Além disso, a negação da revelação proposicional transforma a interpretação em revelação, torna a revelação não-fidedigna, faz com que o leitor determine o que é revelação, nega a soberania de Deus, elimina a fé na revelação, nega a inerrância bíblica e afasta o caráter pessoal da revelação.
PALAVRAS-CHAVE
Liberalismo; Iluminismo; Racionalismo; Kant; Barth; Neo-ortodoxia; Revelação; Revelação proposicional.
* O autor é ministro presbiteriano, diretor da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e professor de teologia sistemática no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Obteve o grau de doutorado (Th.D.) em teologia sistemática no Concordia Theological Seminary, em Saint Louis, Missouri, EUA.
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