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Mensagem Natalina 2007

“Eu não chamo mais vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que o seu patrão faz; mas chamo vocês de amigos, pois tenho dito a vocês tudo o que ouvi do meu Pai” (Jesus, em Evangelho de João 15.15).

Quando eu era adolescente, Natal para mim era época de ceia com peru, frutas cristalizadas, arroz com passas, além da tradicional cerimônia familiar de abertura de presentes discretamente colocados ao pé da árvore enfeitada. Era o esperado “amigo secreto”, em que junto com primos, tios, sobrinhos e amigos, trocávamos presentes em seqüência. Nunca gostei do “amigo secreto” porque não escolhíamos o amigo por afeição ou simpatia (era tudo escolhido antes pelos organizadores) e tínhamos de descrevê-lo e falar bem dele na hora da entrega do presente. Numa família grande como a minha, sempre havia o risco de ter que descrever e elogiar alguém que eu realmente não conhecia direito ou às vezes nem gostava. Quando eu não conhecia a pessoa direito, ficava sem palavras e encabulado diante de todos... um martírio.

Hoje, passados muitos anos, reflito sobre aqueles dias e sobre essa tradição que ainda continua na minha família, apesar dos tímidos. Quão preciosa e importante é a amizade sincera. Quão preciosos são os verdadeiros amigos, pessoas que conhecemos de verdade, nas quais podemos confiar, as quais podemos descrever e às quais podemos confidenciar nossos medos, temores, angústias, dores e, também, alegrias.

No ambiente de trabalho acabamos, por força das convenções e das regras do politicamente correto, nos relacionando com todos com sorriso aberto no rosto e amenidades nos lábios. Mas, quantos há que realmente estão se sentindo solitários nessa época natalina dos amigos secretos? Muitas pessoas, apesar do aspecto externo de felicidade e extroversão, estão sós por dentro. Sentem falta de amor, amizade, carinho.

Não serei simplório dizendo que Jesus Cristo, cujo nascimento celebramos nessa época, supre totalmente a nossa necessidade de amizades, a ponto de podermos nos isolar do mundo e do convívio das pessoas e nos dedicarmos à contemplação e à oração – Deus nos fez seres sociais. Mas serei verdadeiro ao dizer que um relacionamento íntimo e significativo com Cristo, mediante a oração e leitura dos Evangelhos, revelará uma amizade muito acima das humanas, que satisfará os mais profundos desejos de nossa alma, carente de perdão, paz e sentido. Jesus Cristo está vivo hoje. Aqueles para quem Jesus Cristo é mais que um mero amigo secreto experimentam de fato um feliz Natal.

“O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Provérbios de Salomão 18.24)

Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie