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A Importância das Cosmovisões

 

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23).

 Uma das idéias dominantes da cultura da nossa época é que não existe objetividade pura, inclusive na ciência. Muitos autores contribuíram para o estabelecimento desse conceito e para a derrubada do mito da neutralidade defendido no Iluminismo. Entre eles menciono o historiador da ciência Thomas Kuhn, cujo livro “A Estrutura das Revoluções Científicas” (1962) representa um marco nessa disciplina.

O argumento de Kuhn, em linhas gerais, é que, ao contrário do que postulava o positivismo científico, os cientistas não são meras máquinas de análise e registro de informações – são pessoas de carne e osso, com sentimentos, emoções e intuições. Eles não registram passivamente, mas projetam ativamente. As suas experiências e crenças servem para formar os paradigmas, que são estruturas dominantes que organizam os experimentos que eles realizam.

Em suma, as revoluções científicas avançam, não quando surgem novas descobertas, as quais são incorporadas e absorvidas aos paradigmas dominantes – mas quando os paradigmas mudam. Com isso Kuhn destacou e firmou a importância dos paradigmas e dos pressupostos nas áreas do conhecimento. Ele valorizou as crenças e convicções das pessoas ao lerem e interpretarem a realidade ao seu redor.

Essa realidade é bem conhecida dentro da tradição bíblica e teológica dos cristãos. O livro de Provérbios  já falava da importância do coração e da mente (leb em hebraico) para a compreensão da totalidade da vida (vide acima Provérbios 4:23). Nessa mesma linha, Agostinho, filósofo e teólogo cristão do século IV fez a famosa declaração “credo ut intelligam” (“creio para entender”), querendo dizer que entendia o mundo a partir do pressuposto da fé.

É nesse contexto que falamos da importância e da legitimidade de uma visão de mundo (“cosmovisão”, Weltanschauung, termo usado primeira por E. Kant) que parta dos valores teóricos e morais do Cristianismo, e que faça parte dos paradigmas e matizes que orientam nosso labor acadêmico na UPM.

Uma visão de mundo cristã deveria levar em conta a existência de um Deus pessoal e sua ação na História; a revelação que ele faz de si mesmo nas Escrituras judaico-cristãs; o ser humano criado à imagem de Deus; a presença e a realidade do mal nesse mundo; o mundo e suas leis como expressão do caráter desse Deus – poder, bondade, justiça, sabedoria.

Dado que não existe neutralidade na academia, sempre teremos paradigmas que dependem de visões de mundo. Há muitas delas: marxismo, humanismo, ateísmo, agnosticismo, religiões orientais, materialismo, para nomear algumas.

Se não podemos escapar dos pressupostos, que abracemos a visão cristã de mundo, que está em nossas raízes, como universidade confessional cristã.

Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie