"Felizes os que choram"


“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” (Mateus 5.4).
Em João 11.35 encontramos a declaração de que “Jesus Chorou”. Jesus chorou diante da morte de seu amigo Lázaro. Jesus chorou quando viu o sofrimento de Marta e Maria. Jesus chorou ao ver a incredulidade do seu povo. Jesus chorou porque se compadeceu da dor daquela gente. Jesus chorou porque o seu coração estava cheio de amor.
Existe um ditado popular que afirma: “Homem que é homem não chora”. Jesus Cristo, o mestre dos mestres, chorou e afirmou: “Felizes os que choram”. Com certeza essa bem-aventurança não é apenas para as mulheres e sim para todo e qualquer ser humano que tenha um mínimo de amor em seu coração e que por outro lado, reconhece a sua total, completa e desesperadora necessidade de Deus em sua vida.
Podemos chorar por muitas coisas, inclusive por coisas que não são lícitas, o que demonstra um profundo egoísmo de nossa parte. Podemos chorar por coisas lícitas como: enfermidades, dores, perda de um ente querido, perdas materiais. Outros choram porque o seu orgulho foi ferido. A lista de motivações pode ser enorme. Esses choros são necessários e lícitos, outros, porém, são totalmente desprovidos de qualquer motivação séria e honesta.
Não é desse tipo de choro que Jesus estava falando aqui. Quando afirmou que são “bem-aventurados os que choram”, estava falando de um tipo de choro que é decorrência do reconhecimento íntimo e pessoal da nossa miséria. William Hendriksen afirmou: “É o pranto daqueles que reconhecem sua bancarrota espiritual”.
Significa que o choro aqui tem por motivação a nossa carência espiritual diante de Deus. John MacArthur tem a mesma interpretação, ele diz: “A dor que provém de Deus está ligada ao arrependimento que, por sua vez, está ligada ao pecado. Este tipo de dor significa sentir-se triste por ser um pecador”.
O que se aprende aqui a partir do significado do termo usado por Jesus é que o tipo de choro descrito por Jesus não é algo superficial, visto que a palavra usada expressa a idéia de uma agonia íntima e profunda, não significa apenas a exteriorização de um lamento. Há uma ligação muito profunda entre a primeira bem-aventurança com a segunda.
A primeira fala a respeito da humildade de espírito, o reconhecimento de que nada temos, nada somos e nada podemos. Considerando que somos totalmente incapazes diante de Deus, só nos resta chorar; que o choro seja sincero e profundo.
Percebe-se que a felicidade dos que choram não está no fato de chorarem e sim no de serem consolados. Deus promete consolo àqueles que choram, àqueles que reconhecem a sua miséria e derramam a sua alma diante dele. Deus não despreza a dor do aflito, do quebrantado, daquele que se humilha na sua presença.
Tiago entendeu isso: “Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tiago 4.9,10).
John MacArthur afirmou que isso é bem contrário a tudo aquilo que a filosofia secular ensina: “Felizes os tristes opõe-se a tudo o que conhecemos. Toda a estrutura de nossa vida – a loucura pelo prazer, a busca de emoções e o tempo, dinheiro e entusiasmo gastos atrás de diversão e passatempo – é uma expressão do desejo do mundo de evitar o choro, a tristeza e a dor”. As palavras do mestre ensinam que felizes são os que choram, e àqueles que choram serão consolados.
Carlos Henrique
