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A Escolha de Líderes para a Universidade

Homilia por ocasião da posse de novos diretores em 15/03/07

Cumprimento a todas as autoridades presentes do Instituto Presbiteriano Mackenzie e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, bem como a todos os professores e funcionários aqui presentes, e especialmente aos diretores a serem empossados.

Esse momento é o clímax de um processo de escolha de líderes para nossa Universidade, que começou ano passado. Gostaria de lembrar que à semelhança de outras instituições da democracia ocidental moderna, a escolha de líderes por meio de eleições e nomeação por autoridades superiores é também parte do legado bíblico.

Temos na tradição judaico-cristã o modelo para esse processo democrático. Jetro, sogro de Moisés, ao perceber as dificuldades que esse grande líder do povo judeu enfrentava para administrar as coisas do povo, deu-lhe o seguinte conselho, que foi seguido fielmente:

“Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez; para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave trarão a ti, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; será assim mais fácil para ti, e eles levarão a carga contigo” (Êxodo 18.21-22)

Mais tarde, o texto bíblico registra a orientação do próprio Deus a Moisés quanto à escolha e organização da liderança da nação judaica:

“Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, que sabes serem anciãos e superintendentes do povo; e os trarás perante a tenda da congregação, para que assistam ali contigo. Então, descerei e ali falarei contigo; tirarei do Espírito que está sobre ti e o porei sobre eles; e contigo levarão a carga do povo, para que não a leves tu somente” (Números 11.16-17)

Na mesma linha, os apóstolos de Jesus Cristo instruíram as comunidades cristãs a escolher seus líderes:

“Irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (Atos 6.3-4)

Os seguintes pontos podem ser notados ou inferidos do modelo bíblico quanto ao processo de escolha de líderes eficientes e capazes.

  1. Há a intenção clara de compartilhar a carga pesada de guiar e liderar pessoas e de realizar o trabalho administrativo.

  2. Existe também a disposição de descentralizar o poder embora sem abrir mão das prerrogativas de decisão final. A escolha era feita pelo povo, mas a aprovação final por Moisés ou os apóstolos.

  3. Transparece com clareza a preocupação de se instituir uma liderança capaz, experiente e respeitada, que tenha condição de conduzir o povo e realizar as tarefas designadas.

  4. Verifica-se a transferência de responsabilidade, que passa a ser colocada sobre cada um dos líderes escolhidos e nomeados.

  5. Cria-se igualmente a possibilidade de recorrer a canais superiores nos casos mais difíceis, o que traz segurança e tranqüilidade aos líderes.


Eu não poderia deixar de mencionar que no modelo bíblico de escolha de lideranças existe um grande encorajamento que é dado aos escolhidos e nomeados. Primeiro, eles devem ter a consciência de que estavam ocupando posições da maior confiança, à semelhança dos senhores e senhoras diretores que hoje estão assumindo essa função de líderes da nossa Universidade – vocês gozam da mais completa confiança da Mantenedora! Segundo, a segurança de que poderiam recorrer às autoridades superiores quando não conseguissem dar conta de algumas tarefas. Nossas portas sempre estarão abertas para recebê-los e para, juntos, conduzirmos essa grande Universidade. E terceiro, a promessa de que Deus estaria com eles no desempenho do seu trabalho, enquanto se mantivessem fiéis ao próprio Deus.

Mas, eu gostaria de me encaminhar para a conclusão apresentando o modelo e exemplo daquele que foi o maior de todos os líderes, Jesus Cristo. Ele recebeu uma missão de Deus Pai, que foi vir ao mundo e dar sua vida em favor do ser humano. No cumprimento dessa tarefa, ele mostrou:

  1. Lealdade inamovível ao propósito do Seu Pai. Em certa ocasião ele declarou aos seus discípulos: “A minha comida e a minha bebida consistem em fazer a vontade de meu Pai que está nos céus”.

  2. Disposição incansável no cumprimento do plano divino. Certa feita, replicou aos que o questionavam: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também”.

  3. Firmeza para fazer o que era certo. O quadro comumente pintado de Jesus como alguém meigo, delicado e afetado está longe da verdade. Em que pese seu amor até pelos inimigos, ele sabia ser firme contra a malícia dos adversário: “Ai de vós fariseus hipócritas!”. Certa feita, ele encontrou no templo de Jerusalém os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados. Fez um azorrague de cordas e expulsou à chicote todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas.

  4. Amor aos inimigos. Esse mesmo Jesus, firme e intrépido, fazia distinção entre as pessoas e seus atos errados. Na cruz, orou pelos seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.”

  5. Visão ampla da necessidade de repartir as tarefas. Certo dia, após ministras às multidões, viu compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. Então, disse aos discípulos: “A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.”

  6. Humildade, paciência, perseverança em todas as coisas. Durante os poucos anos de seu ministério entre nós, ele sofreu a contradição dos inimigos, a malícia dos que queriam derrubá-lo. O profeta Isaías se referiu a ele como “homem de dores e que sabe o que é padecer.”

  7. E por fim, espírito de servo, que o levou a declarar: “Eu não vim para ser servido, mas para servir, e dar a minha vida em favor de muitos”.


Que esse espírito de servo que havia em Jesus Cristo esteja sobre os senhores e senhoras diretores, e sobre todos nós, para que possamos nos desincumbir da tarefa que nos é dada, de liderar essa prestigiosa Universidade.

Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie