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10 Anos de Conquistas e Desafios

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A Humanidade tem o hábito milenar de contar o tempo. É assim que comemoramos a passagem dos anos, das décadas e dos séculos. Na verdade, esta prática pode ser útil se refletirmos objetivamente sobre o passado e ajustarmos o foco nos projetos futuros. Em novembro de 2007, a TV Mackenzie completou 10 anos. Apesar da bem-vinda efeméride e dos mais de 1.200 programas produzidos, totalizando mais de 560 horas de programação inédita, desenvolver um projeto de televisão universitária sem fins lucrativos e comprometido com a educação, cultura e cidadania, ainda proporciona grandes desafios e permanentes aprendizados.

Curiosamente, a primeira TV educativa brasileira nasceu em uma universidade há exatos 40 anos. Foi em Recife, em 1967, na Universidade Federal de Pernambuco, que o primeiro modelo de TV Pública não-comercial inaugurava seu espaço na radiodifusão aberta. A partir da Lei 8.977/95, a chamada Lei do Cabo, as universidades brasileiras conquistam um canal legalmente assegurado e disponibilizado pelas operadoras de TV a cabo. Em 1997, o então reitor do Mackenzie, Cláudio Lembo, com apoio da direção do Instituto Presbiteriano Mackenzie e esforços do professor Roberto Mac Cracken, articularam com mais oito universidades a criação do Canal Universitário de São Paulo (CNU). O CNU inaugura a programação da TV Mackenzie em novembro e confia às universidades a responsabilidade de produzir uma média de 90 minutos semanais inéditos. A regularidade da produção ajuda a academia entender melhor o funcionamento da televisão, veículo que só começou a ser estudado no final dos anos 60.

O alto custo, a baixa participação da comunidade e o pouco dinamismo na programação aceleraram o declínio do modelo terceirizado de produção no Mackenzie. A criação do curso de Jornalismo, em 2000, foi um fator decisivo. Em maio de 2000, o Centro de Rádio e Televisão (CRT) passou a produzir a programação regular do CNU em um modelo de produção misto (profissionais contratados, alunos e professores) com infraestrutura e equipamentos próprios. Desde então, o novo núcleo passou a ser um ponto de intersecção da universidade em projetos de divulgação científica e formação profissional.

Em 2003, os programas são digitalizados e disponibilizados na intranet. No ano seguinte, em uma parceria inédita entre o CNU e a TV Globo, a TV Mackenzie realiza um debate sobre os 450 anos de São Paulo, transmitido ao vivo e envolvendo alunos e professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. A partir daí, as programações ao vivo passaram a ser uma constante. Além da série “Desafio Brasil”, um prolongamento da mesma parceria, o projeto “CRT-TV do Bem” realiza desde 2005 a cobertura do “Dia Mackenzie Voluntário” e mobiliza em média 80 voluntários em 9 horas de programação transmitidas via satélite do Mackenzie para todo Brasil.

Em maio de 2005, a TV Mackenzie filia-se à ABTU (Associação Brasileira de Televisão Universitária) e passa a fazer parte dos movimentos que envolvem o desenvolvimento da TV Pública brasileira. Em agosto, ganha sua primeira premiação no Festival de Gramado (RS) na categoria “Melhor Programa Educativo”, fato que se repete em 2006 na categoria “Melhor Vídeo Social”. Ainda em 2005, veicula sua programação em canal aberto (24 UHF) e inaugura seu novo estúdio onde atualmente funciona sua sede, no edifício Wilson de Souza Lopes.

Outros convênios realizados com o Canal Futura, TV Cultura (Projeto Campus), TAL – Televisão América Latina , Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania vêm ajudando a divulgar ainda mais a TV Mackenzie cuja missão é formar e integrar a comunidade acadêmica à sociedade. Este processo se concretiza em uma programação televisiva de qualidade, preocupada com o acesso público ao conhecimento produzido na universidade.

 

Por Daniel De Thomaz, coordenador geral da TV Mackenzie, gerente do Canal Universitário de São Paulo e vice-presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU).