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Carecemos de Esperança
Conhecemos o adágio popular que diz: “A esperança é a última que morre”. Na experiência da fé cristã não podemos acolher tal expressão como verdade, pois Cristo é nossa esperança eterna. Entretanto, vivemos momentos de nossa história brasileira em que o amanhã nos parece estar envolto na penumbra da incerteza. Olhando ao nosso redor conseguimos fazer algumas constatações:
- assistimos a corrupção se misturar com a estrutura social, pondo em risco a esperança de todo um povo viver dias melhores, mesmo sabendo que seu país é rico e belo;
- somos influenciados pela secularização do sagrado, que tenta nos convencer de que Deus está de férias;
- percebemos a crescente tendência de uma espiritualidade que envolve o secular, inspirando-nos a absorver conceitos e culturas como se fossem a depuração de nossa doutrina cristã;
- vemos acontecer a perversão da liberdade, o afrouxamento das leis criando esconderijos para a justiça produzir mais sombras.
Quando lemos o Profeta Habacuque parece estarmos assistindo a cópia original desse mesmo filme. Jesus declarou que pelos frutos podemos conhecer a árvore; sua natureza, sua índole e suas promessas. Somente ele pode orientar e inspirar caminhos para a transformação, fazendo renascer a esperança que seja confiável. Há esperança? Sim, é claro!
João Calvino desenvolveu o conceito de trabalho e vocação como compromisso do homem para com Deus e deve ser feito com ética e zelo. Ele conhecia a declaração da Escrituras: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Colossenses 3. 17). Trabalhar e produzir profissionalmente deve ser visto pelo cristão como valorização do cumprimento do dever e como meio de glorificação ao Criador, seja qual atividade for. Por isso, devemos ser conduzidos, sempre, pelo espírito da honestidade, legitimidade e do direito. O poeta francês Victor Hugo, em sua composição “Desejos que eu desejo” fala algo interessante: “Desejo que ganhem dinheiro, porque é preciso ser prático. Mas, de vez em quando ponha um pouco sobre a mesa e diga: isso é meu, para que se saiba quem é dono de quem”.
Precisamos ouvir o mestre da vida: “Aprendei de mim”, disse Jesus. Aprender o quê?
- Que somos mordomos. Mordomia é administrar com fidelidade e prudência o que é colocado nas suas mãos para ser feito. José foi levado ao Egito, onde ganhou a confiança da administração geral de Faraó, e posto por este como “mordomo de sua casa (a quem) lhe passou às mãos tudo o que tinha” (Gênesis 39.4). José sabia que para ter crédito público e agradar a Deus não bastavam mãos limpas, era necessário ter um coração puro.
- Exercitar a esperança que tenha por base a dependência do Criador. Ela nos faz olhar para o futuro com paciência e confiança, pois, as circunstâncias ao nosso redor são variáveis, as estruturas humanas são frágeis e os seus agentes humanos carecem de sabedoria, porém, o temor do Senhor pode abrir o caminho para um amanhã melhor.Temos compromisso com a vida, com os valores da fé cristã, mas todas essas coisas tomam sentido quando buscamos “em primeiro lugar” o compromisso do reino de Deus. Experimente.
Rev. Eldman F. Eler
Capelão Universitário
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