Está consumado!

“Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1.23-24).
Setembro é o mês em que se comemora a independência do Brasil. Ela se deu no dia sete de setembro de 1822. D. Pedro I voltava de Santos para São Paulo, quando foi interrompido por um mensageiro a mando de Dona Leopoldina e seu principal ministro e conselheiro, José Bonifácio de Andrada e Silva com mensagens de Portugal declarando nula a Assembléia Constituinte e obrigando D. Pedro I a voltar imediatamente à Metrópole, sob pena de perder seus direitos de herdeiro do trono.
Ao ler os documentos, arrancou do chapéu o tope português e bradou exaltado: “Laços fora, soldados! As Cortes Portuguesas querem mesmo escravizar o Brasil. Cumpre declarar já a sua independência. E levantando a espada, continuou: – Independência ou morte!”. Com esse brado de D. Pedro I deu-se início à Independência do Brasil.
Houve um outro grito muitos anos antes do grito de D. Pedro I, um grito muito mais impressionante e com significados muito mais sublimes. Foi o brado de Cristo na cruz, quando disse: “Está consumando!”. Essas palavras significam: “Está pago, está feito, está cumprido”. Jesus usou uma palavra grega que era usada nas transações comerciais e significava: “A dívida está quitada”.
Tudo o que tinha que ser feito para espiar os pecados e garantir acesso a Deus já foi realizado por Jesus Cristo na cruz. Ele foi o substituto perfeito, seu sacrifício foi aceito pelo mais justo juiz do universo. Ele foi julgado e achado inocente. Por isso Paulo afirmou: “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Efésios 5.2). Foi por isso que John Piper afirmou: “os sofrimentos de Cristo eram um perfume para Deus”.
Jesus sabia exatamente o que estava fazendo. Ele entregou voluntariamente a sua vida na cruz. Cumpriu cada palavra profética a seu respeito. Em momento algum, porém, ele perdeu as rédeas da sua história. Tinha todo o poder a sua disposição e poderia driblar aquela situação da forma que quisesse. Poderia sair ileso. Tinha condições de clamar ao seu Pai e pedir a sua libertação. Não fez isso, sabia o propósito da sua vida bem como o propósito da sua morte: satisfazer a justiça de Deus.
Antes de ser levado a julgamento já havia prevenido os seus discípulos sobre a maneira como deveria morrer. Jesus estava no comando. Por isso, quando todos achavam que ele estava derrotado, quando todos esperavam que Elias viesse salvá-lo, quando esperavam que ele desse o seu último brado pedindo misericórdia, deixa todos atônitos. Ajeita-se novamente na cruz, enche os seus pulmões e clama para todo o universo ouvir: “Está consumado!”.
Nem mesmo Hollywood, com todos os seus recursos tecnológicos sonharia com um final tão brilhante como este. E o melhor de tudo isso é que esse não é o fim é apenas o interlúdio do grande poslúdio que aconteceria na manhã do primeiro dia da semana quando ele ressuscitaria.
Quando D. Pedro I gritou “Independência ou Morte”, ele declarou a liberdade do Brasil do jugo Português, mas quando Cristo na cruz bradou “Está Consumado!”, ele satisfez a justiça de Deus e rasgou o véu de alto a baixo. Ele conquistou na cruz a salvação ao pecador.
O grito de D. Pedro I livrou o povo brasileiro do jugo Português, o brado de Cristo na cruz libertou o ser humano da tirania do pecado. No primeiro, afirma-se, com orgulho, que agora o Brasil é um país livre; no segundo, que Cristo é o caminho de acesso a Deus; no primeiro D. Pedro I gritou: “Independência ou Morte!”; no segundo, Cristo bradou: “Independência na minha morte!”. Seja independente, aceite Cristo como seu salvador pessoal.
Rev. Carlos Henrique
Capelão Universitário
