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Projeto Concluído - Fevereiro 2006 / Janeiro 2007

A biomecânica aplicada na detecção e correção de erros no desporto de alto nível - um projeto de integração entre a FEF-Mackenzie e o Esporte Clube Pinheiros.

 

 

Unidade: Faculdade de Educação Física

Equipe:

Pesquisadora Líder: Sônia Cavalcanti Corrêa

Docentes Pesquisadores: Dalton Lustosa de Oliveira, Denise Elena Grillo, Eduardo Vinicius Mota e Silva, Ronê Paiano, Paulo Eduardo Torres Tondato e Rudney Uezu

Auxiliares de Pesquisa de Graduação: Fabiana Ferreira Tomé, Miriam Silva Fiel, Paula Aguiar Simões, Sabrina Teixeira e Valéria Viana Piceda


Órgão de fomento: Fundo Mackenzie de Pesquisa - MACKPESQUISA

Resumo:

Na visão dos profissionais em geral a biomecânica é considerada uma disciplina extremamente importante, mas mesmo estes profissionais afirmam que a utilizam muito pouco na prática. A biomecânica é encarada, até dentro da própria Universidade, como uma disciplina a ser estudada e compreendida por profissionais que tenham profundo conhecimento de física e matemática. O objetivo desta pesquisa é criar uma interação real entre o meio acadêmico e o local de intervenção profissional, partindo de um diálogo com os técnicos do esporte Clube Pinheiros, para definir as variáveis mecânicas a serem analisadas, coletando dados no ambiente específico em que se desenvolve a modalidade. Para estabelecer o contato inicial entre o grupo de pesquisa da Faculdade de Educação Física e os técnicos será feita uma reunião em que se procurará mostrar aos técnicos os objetivos do projeto e o que a biomecânica é capaz de fazer com o instrumental disponível na Faculdade de Educação Física do Mackenzie (CEPEX-FEF). Isto da maneira mais simples possível, só para que os técnicos tenham uma noção das possibilidades básicas de análise do movimento utilizando a biomecânica. Para cada coleta o equipamento será levado até o clube e será organizado um grupo de em média 12 alunos, que se deslocarão acompanhados do professor de biomecânica e dos professores dos desportos afins da Faculdade de Educação Física do Mackenzie (FEF-MACKENZIE). Os métodos propostos para análise do movimento e já existentes no CEPEX-FEF se dividem em: A) coleta de dados cinemáticos (deslocamento, velocidade e aceleração linear e angular) realizada através de filmagem do movimento; B) coleta de dados de força, utilizando a plataforma de força e/ou um transdutor de força específico; C) coleta de dados que indiquem a ativação muscular existente durante o movimento, através da eletromiografia.

 

Discussão e Conclusões:

Como constava na proposta inicial os avanços foram dentro da área prática de aplicação da biomecânica ao treinamento. Após o contato com os técnicos para determinação das variáveis mecânicas a serem analisadas, se determinou então os planos de filmagem, os locais onde deveriam ser colocadas as câmeras e os pontos anatômicos a serem marcados. Disto resultaram coletas de dados para projetos pilotos das várias modalidades utilizando, quando necessário, filmagem analógica e processamento manual de marcas. Desta primeira coleta resultaram trabalhos para congressos (descritos abaixo) e foram identificados os problemas e os erros principais o que gerou uma nova estrutura de coleta de dados com câmeras digitais, ambiente controlado para diminuição de erros, sendo também implementado um novo processamento automático de dados. Para isto foi necessário busca de soluções para posicionamento das câmeras, controle da luminosidade, controle dos reflexos, posicionamento das marcas, e checagem do equipamento. Construção de equipamento denominado "varal" para poder levar as marcas de calibração para fora do laboratório, ou seja, em ambiente de jogo, treino e competição, tanto em terra como na água. Teste e aquisição de material para: controle dos reflexos (tecido TNT) e marcas (adesivo reflexivo - material da 3M). Este processo demandou um tempo de laboratório muito grande, mas também foi muito rico e de grande crescimento para todo o grupo, permitindo estabelecer uma metodologia clara e precisa de coleta de dados em campo. Este foi o primeiro grande resultado do grupo, e que inicialmente o diferencia dos outros vários grupos de biomecânica. Após esta fase passamos para as coletas de dados propriamente dita. Foram coletados, novamente, dados de esgrima, voleibol, ginástica artística, basquetebol, atletismo e pólo aquático. A única coleta não realizada, dentre as propostas, foi a do handebol por problemas específicos com os técnicos e atletas da modalidade.  Todas as modalidades utilizaram a cinemetria como a metodologia, com exceção do basquete em que se utilizou a plataforma de força.  Na esgrima o objetivo foi verificar o à fundo com florete analisando as seguintes variáveis: deslocamento e velocidade das marcas colocadas no punho e no quadril, e  ângulo de cotovelo e joelho dos segmentos que realizam o ataque e suas respectivas velocidades angulares. Concluiu-se que a esgrima, sendo um esporte de velocidade e de coordenação precisa dos movimentos de braços e pernas, tem muito a lucrar com a descrição mecânica dos movimentos, podendo esta servir de base para correções de atletas com nível de competição assim como servir de padrão para treinamento de base de futuros atletas. No pólo aquático o objetivo específico foi analisar o arremesso a gol dos atacantes a partir da marca do pênalti, com foco específico no movimento da pernada alternada analisando as seguintes variáveis mecânicas: altura máxima obtida, deslocamento dos pés no plano sagital, velocidade dos dois pés e ângulo de joelho das duas pernas. Devido à ação da pernada ser uma combinação complexa do quadril, joelhos e tornozelos é necessária a determinação de tais padrões para melhorar o processo de ensino-aprendizagem e desempenho. Contudo, quase todos os atletas desta amostra não apresentaram os padrões sugeridos na literatura como mais eficientes.  Supomos que isto aconteceu por ser um grupo de iniciantes, mas exatamente por isto estes resultados podem servir como um importante instrumento no processo de ensino, podendo também ser utilizado para evitar futuras lesões. O próximo passo é analisar os padrões individuais dos atletas com o técnico de modo a desenvolver um programa de melhoria da técnica do grupo como um todo. No voleibol este trabalho objetivou comparar o desempenho entre atletas do E. C. Pinheiros. Foram analisados: ângulo do tornozelo, joelho e cotovelo de 6 atletas de ponta (3 masculino e 3 feminino). Concluímos que a equipe feminina apresenta um desempenho mecânico um pouco melhor do que a equipe masculina, pois suas variáveis se aproximam mais da literatura. Sugerimos que se trabalhe na busca da melhora da flexão do joelho no masculino. Recomendamos para maiores conclusões, uma análise com uma amostra maior. Na ginástica artística o objetivo do estudo foi analisar a execução correta (G1) e a incorreta, após o Tkatchev (G2), do Guinguer, exercício de largada e retomada com a realização de um mortal com meia volta, para auxiliar na correção e no aperfeiçoamento do exercício. Verificamos as variáveis centro de gravidade, velocidade do tornozelo, deslocamento da marca da cabeça, ângulo formado entre tronco e coxa (angTC) e entre tronco e braço (angTB) e as respectivas velocidades, sendo as quatro últimas as mais significativas. Após a análise dos dados, concluímos que as variações acontecem devido à retomada do Tkatchev na barra, que faz com que o corpo se acomode na posição carpada, perca velocidade e não o prepara para o “chute” adequadamente. Sugerimos a correção da posição do corpo na retomada no exercício anterior ao Guinguer para que não haja oscilações nas variáveis. No atletismo o estudo visou analisar o padrão biomecânico de atletas de meio-fundo com relação aos aspectos: tempo de contato com o solo, tempo de vôo, angulação do joelho, angulação do tronco e deslocamento do quadril, com vistas a auxiliar o trabalho do treinador. De forma geral os resultados apontaram que a amostra apresenta resultados bastante coerentes com o tipo de prova praticada, porém, um dos atletas necessita de maior atenção a sua técnica de corrida. No basquete o objetivo foi identificar um componente que pudesse diferenciar o arremesso de lance livre (LL) convertido do não convertido, analisando a força  exercida verticalmente durante a impulsão (FI) e frenagem (FF) na plataforma de força (PF). Concluímos que a diferença entre FF e FI pode ser um componente determinador para a conversão do LL, visto que quanto mais semelhantes são estas forças empregadas, maior será a chance de conversão. A fluidez, a harmonia e o conseqüente domínio corporal mensurado através da aplicação desta força é um fator tão importante quanto a execução técnica do movimento.