Jesus e as moradas na casa do Pai: Interpretando monai em João 14
João Alves dos Santos*
RESUMO
O presente artigo tem em vista explicar o sentido de promessas feitas por Jesus em João 14.1-3 no intuito de consolar seus discípulos em razão da sua volta para o Pai. O autor procura tratar expressões como “casa de meu Pai”, “moradas”, “preparar lugar”, “virei outra vez”, “levarei para mim mesmo” e outras, não como promessas isoladas, mas como afirmações que precisam ser vistas em conexão com todo o Discurso do Cenáculo e, em particular, com o capítulo 14, em que elas estão inseridas. Seu pressuposto é que, para servir de consolo aos discípulos naquelas circunstâncias, a promessa do retorno de Jesus para levá-los para si mesmo deveria apontar para um cumprimento iminente e não para a sua segunda vinda. Antes de voltar, Jesus precisaria completar a obra da redenção através da sua morte, ressurreição e exaltação à mão direita do Pai. Era isso o que ele queria dizer por "ir preparar lugar". A sua exaltação era a prova de que Deus aceitara a sua obra e, por conseguinte, ele poderia voltar para estar com seus discípulos, não fisicamente como estivera antes, mas através do outro Consolador, o Espírito Santo que prometera. Essa habitação ou "morada" com eles seria realizada tanto pelo Filho quanto pelo Pai. O autor ressalta, porém, que esse modo de interpretar a passagem não diminui a importância e a bem-aventurança da segunda vinda, a parousia, pois a habitação que o crente desfruta agora com o Deus trino terá a sua manifestação mais plena e gloriosa no novo céu e na nova terra, onde o santuário será o próprio "Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro".
PALAVRAS-CHAVE
Casa do meu Pai; Moradas; Monai; Templo; Parousia; Casa de Deus.
* O autor é mestre em Divindade e em Teologia do Antigo Testamento pelo Faith Theological Seminary (EUA) e em Teologia do Novo Testamento pelo Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição (São Paulo). É professor assistente de Teologia Exegética do Novo Testamento e coordenador de Educação a Distância (EAD) no CPAJ, membro do corpo editorial da revista Fides Reformata e ministro da Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil.
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