Oportunidades de negócios

Projeto Concluído - Fevereiro 2008 / Janeiro 2009

 

Oportunidades de negócios nos mercados globalizados: estratégias de internacionalização de produtos brasileiros

Unidade: Centro de Ciências Sociais e Aplicadas

Equipe:

Pesquisador Líder: Francisco Américo Cassano

Professores Pesquisadores: Cláudia Márcia de Jesus Forte, Fernando Ribeiro Leite Neto e Francisca Gallon Grostein

Alunos Bolsistas: Caio Luis dos Santos Notario e Larissa Oliveira de Lello

Pesquisadores Voluntários: Abrao Caro, Gleriani Torres Carbone, Hideo Hori e Zilda Mendes 

Órgão de Fomento: Fundo Mackenzie de Pesquisa - MACKPESQUISA

Resumo:

A idéia central é a de que a internacionalização de produtos elaborados por empresas brasileiras selecionadas para o estudo obedeceu a uma lógica relacionada com as oportunidades existentes nos mercados globais – diferentemente das empresas européias e americanas, face ao seu isolamento histórico e à localização periférica em relação às economias mais desenvolvidas, caracterizando assim uma situação contraria ao movimento das empresas multinacionais. Os produtos das empresas multinacionais são homogêneos para inserção nos diferentes mercados, enquanto que os produtos brasileiros buscam e identificam oportunidades em mercados pouco explorados. A pesquisa deverá nortear-se pela seguinte questão-problema: Como as oportunidades de negócios nos mercados globalizados podem influenciar as estratégias de internacionalização de produtos brasileiros selecionados? O Projeto tem como objetivo geral descrever as influências que as oportunidades de negócios nos mercados globalizados exercem sobre as estratégias de internacionalização dos produtos brasileiros selecionados.

Discussão e Conclusões:

O desenvolvimento da pesquisa de campo permitiu a constatação de que o processo de internacionalização dos segmentos selecionados teve características diferentes. Mesmo assim, a solução do problema de pesquisa pode ser considerada uniforme no sentido de que os segmentos analisados confirmaram que as oportunidades de negócios internacionais percebidas pelas empresas influenciaram tanto na abertura de novos mercados como para direcionamento da decisão nas matrizes, e, no abandono do modelo de inserção externa.
Com isso, o objetivo geral da pesquisa foi atingido uma vez que os segmentos analisados demonstraram que as oportunidades de negócios nos mercados globalizados, ao serem percebidas, tiveram forte influência no redirecionamento dos negócios e na formulação das estratégias.
Os objetivos específicos também permitiram verificar que o mercado externo, assim como possui oportunidades interessantes, também possui significativas ameaças que as empresas brasileiras também devem considerar na formulação do seu planejamento estratégico. Isto ficou bem claro pelas ações diferenciadas que as empresas selecionadas apresentaram – no Quadro 6 –, das quais se destacam a preocupação com a distribuição e a logística.
Através dessa constatação fica reforçada a decisão do grupo, ao separar desta pesquisa a entrega dos produtos, de considerar apenas a influência das oportunidades como uma primeira etapa do processo de internacionalização. Fica, entretanto, o registro de que o grupo se compromete a dar prosseguimento à investigação no tema internacionalização – com os mesmos segmentos aqui pesquisados – enfocando sob nova pesquisa os canais de distribuição e a entrega dos produtos em função das oportunidades de negócios percebidas nos mercados globalizados.
Complementarmente o cruzamento de dados, sugerido por Eisenhardt (1989), permite a formulação de um modelo, definido através das soluções comuns adotadas no processo de internacionalização das empresas brasileiras analisadas e o que há de diferencial em cada segmento para que o processo se concretize. Essa é a contribuição que esta pesquisa oferece para as considerações do empresariado nacional quando da decisão pela internacionalização de seus negócios.
O modelo de soluções para a internacionalização das empresas brasileiras selecionadas está apoiado no referencial teórico apresentado, no qual as estratégias potenciais de crescimento, original de Ansoff (1955) e complementadas por Welford e Prescott (1994), estabelecem que uma empresa não internacionalizada pode se apoiar no desenvolvimento de novos mercados internacionais para produtos existentes.
Também Porter (1989) confirma que a liderança no comércio mundial de certas mercadorias está vinculada à ampliação das vantagens da empresa através de estratégia global e consolidação da sua posição através da obtenção de economias de escala e competitividade.
O Paradigma HKC (Hymer, 1978; Kindleberger, 1969; Caves, 1971) evidenciou a propriedade de marcas, a existência de economias de escala e o domínio de gerenciamento e marketing, são fatores determinantes para a expansão internacional da firma.
Não há evidências, entretanto, de que as empresas analisadas, ao se internacionalizarem, tenham acompanhado a concorrência para evitar o risco de se tornarem diferentes dos demais membros do grupo oligopolista (teoria da reação oligopolista).
A pesquisa não confirma a teoria da internalização (Williamson, 1975; Buckley e Casson, 1976; Hennart, 1982) na qual uma firma assume propriedade ou controle de fatores em mercados externos, caso esta alternativa seja mais vantajosa que os custos de transação com os agentes estabelecidos na cadeia dos produtos. As empresas do segmento cosméticos até tentaram, porém, tiveram que desistir face ao baixo nível das vendas.
Também não se confirma o paradigma OLI (Dunning, 1974) para utilização de IDE, uma vez que as empresas selecionadas já estavam estabelecidas e capitalizadas em território nacional.
Tudo indica que o processo de internacionalização das empresas brasileiras selecionadas está vinculado ao modelo da Escola de Uppsala – teoria sueca – no qual as empresas iniciam o processo de internacionalização através do modo de exportação, basicamente em virtude do menor risco, exposição e envolvimento que este modo apresenta.
Os estágios seguintes elevam tanto o grau de risco como o grau de envolvimento e o comprometimento de recursos. De acordo com essa abordagem, o grau de internacionalização evolui de forma incremental, elevando progressivamente o comprometimento e o controle enquanto minimiza o risco, à medida que aumenta o conhecimento dos mercados. Para finalizar, dentre as diversas limitações que este estudo apresenta, é importante destacar-se as suas duas principais:
1) A impossibilidade de se entrevistar a empresa Natura conforme o plano de entrevistas traçado para a pesquisa de campo. Como empresa líder em seu segmento, e, também, por ser um caso relevante de estratégia de negócios, a Natura tem muita procura por parte de estudantes e pesquisadores interessados em analisar e avaliar as suas diretrizes negociais. Face ao grande volume de pessoas para serem atendidas, a Natura constituiu internamente uma unidade de atendimento que foi denominada de Relacionamento com o Meio Acadêmico. A partir de fevereiro de 2008, quando esta pesquisa iniciou os seus procedimentos de campo, foram tentados diversos contatos com executivos da natura – indicados por ex-Alunos funcionários ou Alunos Estagiários – sem que houvesse retorno por parte dos mesmos. No final do primeiro semestre conseguimos um contato com a área de Relacionamento com o Meio Acadêmico, que nos solicitou detalhes sobre o trabalho e o tipo de informação desejada na entrevista. Depois de três semanas, no dia 18/07/08, a responsável pela área nos retornou informando serem passíveis de atendimento apenas os trabalhos de mestrado e doutorado. Insistimos que a natureza deste trabalho era diferente do trabalho acadêmico tradicional (dissertação ou tese) e que se referia a um estudo múltiplo de casos com segmentos selecionados e que, portanto, requeria uma entrevista com executivo da área internacional. Após longas tratativas, que incluíram esclarecimentos sobre a finalidade do estudo, a remessa do roteiro de entrevista e empresas envolvidas, conseguiu-se a indicação de um diretor que atenderia um membro da equipe por telefone no dia 06/10/08 em horário pré-estabelecido. O procedimento organizado pelo grupo para as entrevistas compreendia a gravação para posterior transcrição, e, fazer esta entrevista por telefone foi fato novo a ser contornado e que, para não se perder a oportunidade, foi aceita graças ao esforço dos funcionários do Centro de Rádio e Televisão da Universidade Presbiteriana Mackenzie. No dia da entrevista, já com toda a equipe a postos e o sistema para gravação instalado, chega um e-mail com dez minutos de antecedência cancelando a entrevista e propondo uma nova data a ser informada posteriormente. Posteriormente, em 30/10/08 foi informado um telefone para se realizar a entrevista, mas que nesse número indicado não se conseguiu completar uma ligação. Diante desse quadro, e também, em função do andamento das outras entrevistas, no dia 13/11/08 decidiuse pela suspensão dos contatos com a Natura mesmo se considerando a perda que tal decisão traria para o estudo. Entretanto, como a Natura ocupa uma importante posição no segmento cosméticos, a sua ausência neste estudo traria perda muito mais significativa, motivo pelo qual se optou por uma pesquisa documental;
2) A crise econômica mundial, que começou a dar sinais contundentes a partir do mês de setembro de 2008, deixou de ser contemplada neste estudo por dois motivos significativos: este estudo tratou o processo de internacionalização das empresas brasileiras selecionadas através das oportunidades percebidas nos mercados globalizados sendo a análise, portanto, retrospectiva e não prospectiva; no momento em que se desenvolveu o projeto, que se elaborou o roteiro de entrevistas e que se iniciou a análise e tratamento dos dados, ainda não havia os sinais mais fortes de que essa crise alcançaria nível mundial e que se tornaria um obstáculo para a continuidade do processo de internacionalização de empresas brasileiras. Muito embora haja tais justificativas para a não inclusão dessa situação crítica na análise realizada, o modelo aqui definido para as empresas brasileiras tem limitações por não terem sido tratados os efeitos que essa crise trará para o comércio internacional.
Dessa forma fica como sugestão, além do compromisso do grupo já citado, a realização de estudo que contemple a nova realidade dos mercados globalizados.


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