Rev. Oswaldo Soeiro Emrich

História: Rev. Oswaldo Soeiro Emrich – pastor de almas

Alderi Souza de Matos

 

Nas primeiras horas do dia 2 de novembro, faleceu em Curitiba (PR), com quase 90 anos, o ilustre rev. Oswaldo Soeiro Emrich, o ministro presbiteriano que mais tempo serviu a uma mesma igreja na IPB.

Em 19 de março de 1950, aos 33 anos, ele foi eleito pastor da Igreja Presbiteriana de Curitiba, na qual serviu durante quase 58 anos, 25 como pastor efetivo e 33 como pastor emérito. De espírito conciliador, buscou não só pacificar sua própria congregação, mas promover a fraternidade no ambiente evangélico e cristão da capital paranaense. As duras provações que sofreu, como a perda de três filhos já adultos, o qualificaram de modo especial para o ministério de aconselhamento, que exerceu de modo zeloso e eficiente, beneficiando centenas de famílias. Será especialmente lembrado pelos seus admiráveis dotes como pregador. Alto, magro, simpático e dotado de uma belíssima voz, sua presença era sempre cativante. Seus sermões, profundamente bíblicos e cristocêntricos, partiam do fundo da alma e eram entremeados das mais vívidas ilustrações, muitas vezes retiradas da sua própria experiência pessoal e pastoral. Causava profunda impressão nos ouvintes ao realizar atos pastorais como batismos, casamentos e cerimônias fúnebres, demonstrando impressionante conhecimento das pessoas e famílias envolvidas. Foi verdadeiro pastor, no sentido mais pleno da palavra.

 

Durante décadas, destacou-se como o grande líder do presbiterianismo no Paraná e no sul do Brasil. Por diversas vezes, representou o seu presbitério em reuniões do Sínodo Meridional e compareceu a duas reuniões do Supremo Concílio (Copacabana e Recife). Em Curitiba, foi presidente da Sociedade Evangélica Beneficente, entidade que criou o Hospital Evangélico, do qual foi dedicado capelão durante 20 anos. Foi ainda membro do Conselho de Pastores de Curitiba, ligado à Confederação Evangélica do Brasil, e participou da Sociedade Bíblica do Brasil.

 

VIDA DEDICADA A CRISTO E À IPB DESDE O INÍCIO

Oswaldo nasceu em Lavras (MG) no dia 7 de dezembro de 1917, sendo seus pais Oswaldo Tertuliano Emrich (1888-1977) e Eraydes Soeiro Emrich (1896-1974). O avô paterno, Júlio Emrich, era natural de Bom Jardim (RJ), de onde, por influência de missionários norte-americanos, mudou-se para Lavras por volta de 1907 com a esposa, Clara Werner Emrich, e os filhos Teodomiro, Oswaldo, Teódulo, Ranulfo, Otília, Erasto e Lóide. Dona Eraydes Barcelos Soeiro nasceu em Bagé (RS). Tendo perdido os pais em Florianópolis, a capital catarinense, ela e os irmãos ficaram sob os cuidados de um tenente. Por meio de missionários como Roberto Frederico Lenington, foram para o Ginásio Evangélico de Lavras, sendo acolhidos por d. Clara Gammon. O casal trabalhou na Escola de Agricultura e em outros setores do Instituto Gammon.

 

O menino Oswaldo foi batizado em fevereiro de 1918 pelo tio, rev. Teodomiro Emerique, quando da reunião da Assembléia Geral da IPB em Lavras. Na ocasião, foi consagrado por seus pais ao ministério. Em 1930, professou a fé em Cristo na Igreja Presbiteriana de Lavras e, em 1934, em Campo Belo (MG), foi apresentado ao Presbitério Sul de Minas como candidato ao ministério. Estudou no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas (SP), de 1935 a 1939, tendo sido licenciado em Belo Horizonte em janeiro de 1940 e ordenado em São João Del Rei (MG) no dia 14 de julho do mesmo ano.

Pastoreou a Igreja de São João Del Rei até dezembro de 1941. Pouco antes, no dia 15 de novembro, casou-se em Campinas com a jovem Mercedes Ruiz, nascida em 2 de janeiro de 1921. Pastoreou a Igreja de Campo Belo de janeiro de 1942 a dezembro de 1949, tendo ainda dado assistência às igrejas de Barroso, Perdões, Nepomuceno e Piumhi, cidades mineiras. Na década de 40, liderou a campanha financeira em prol do Seminário de Campinas. O casal Emrich teve quatro filhos: Nilman Ruiz Emrich (nascido em 1942), Norman Ruiz Emrich (1946), Nísia Emrich Thiede (1949) e Nélia Ruiz Emrich Zanetti (1956). Dona Mercedes faleceu em 27 de agosto de 2006. Deixaram quatro netos e três bisnetos.



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